Clima beneficia recuperação da produção de laranja em SP e MG

Impulsionada por um clima próximo do ideal, a safra de laranja cuja colheita começa a ganhar fôlego no cinturão formado por São Paulo e Minas Gerais dá todos os sinais de que a recente forte queda da oferta de suco brasileiro para exportação de fato começará a ser amenizada no segundo semestre.

Produtores e fontes ligadas às indústrias exportadoras destacam que, de maneira geral, o desenvolvimento dos pomares salta aos olhos. Choveu na hora certa durante a florada, o calor ficou dentro de limites favoráveis e as precipitações das últimas semanas foram "cirúrgicas".

Com isso, estimam, a produção da fruta tende a superar 300 milhões de caixas de 40,8 quilos na temporada 2017/18 – que, para efeitos estatísticos, terá início em 1º de julho. Não será uma supersafra, se for levado em conta que houve colheitas superiores a 400 milhões de caixas no passado recente. Mas não deixa de ser uma recuperação importante.

Segundo dados divulgados ontem pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido com contribuições de produtores de laranja e indústrias de suco, a produção do ciclo 2015/16 ficou em 245,3 milhões de caixas, 18% abaixo do total de 2015/16 (300,7 milhões), em virtude de problemas climáticos.

Essa queda afetou a produção brasileira de suco de laranja e colaborou para esvaziar os estoques da commodity nas mãos das principais empresas exportadoras do país (Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus). Como já informou o Valor, os estoques na rede de distribuição dessas companhias no país e no exterior deverão cair para cerca de 70 mil toneladas (equivalentes ao produto concentrado e congelado) no fim de junho, o suficiente para apenas três semanas de demanda.

Também colaborou para essa queda a redução da produção de laranja da Flórida, Estado americano que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo, atrás apenas do formado por São Paulo e Minas. Tanto que os EUA ampliaram as importações de suco brasileiro, num cenário que valorizou o produto no mercado externo e os preços da fruta tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Segundo a CitrusBR, entidade que representa as três grandes indústrias exportadoras já citadas, os embarques de suco de laranja do Brasil alcançaram 665,9 mil toneladas de julho de 2016 a março passado, os nove primeiros meses desta safra 2016/17. O volume foi 18,6% inferior ao de igual intervalo do ciclo 2015/16. Mas, na mesma comparação, o valor das vendas caiu 9,6%, para US$ 1,2 bilhão.

Outra frente que sofreu com a queda da oferta de laranja no cinturão paulista/mineiro nesta temporada foi a exportação da fruta in natura. Segundo estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), os embarques foram de apenas 4 toneladas no primeiro bimestre deste ano, ante 3,7 mil toneladas no mesmo período de 2016.

"O volume disponível de fruta ficou bem abaixo do que a indústria precisava e do próprio consumo interno", diz Fernando Cardoso, diretor de Importação e Exportação da Cutrale, uma das poucas companhias que ainda exportam a laranja in natura. O executivo aproveita para realçar que o país ainda enfrenta dificuldades para exportar à União Europeia, destino de 75% das vendas externas em 2016.

A UE tem tolerância zero à pinta preta, doença que atinge pomares do Hemisfério Sul e que pode levar à queda prematura dos frutos. Segundo Geraldo José da Silva, pesquisador da Fundecitrus, o fungo que causa a doença está presente em praticamente todos os Estados produtores, e é responsável por cerca de 5% das quedas prematuras registradas no país.

Assim, as 4 toneladas exportadas pelo Brasil no primeiro bimestre deste ano tiveram como destino o mercado argentino. A recuperação da produção, se confirmada, tende a estimular também a retomada dos embarques de laranja in natura. Mas os volumes exportados tendem a continuar modestos.

(Fernando Lopes e Cleyton Vilarino | De São Paulo)

Por Fernando Lopes e Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor