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Classe média chinesa se rende ao abacate

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Cesar Rodriguez/Bloomberg

Produção de abacate no México: demanda da China tem motivado forte aumento das exportações latino-americanas

A crescente demanda da China por abacates, influenciada pelo consumo de uma classe média cada vez mais preocupada com uma nutrição saudável, transformou o produto na maior estrela do mercado de frutas importadas do país asiático atualmente.

O movimento alavancou as exportações de abacates de países latino-americanos como México e Chile, que têm apresentado taxas de crescimento da ordem de 250% ao ano e passaram, no total, de 154 toneladas, em 2012, para mais de 25 mil em 2016.

"Mais pessoas estão prestando atenção a estilos de vida mais saudáveis, e os abacates [até pouco tempo atrás desconhecidos na China] atendem a essa necessidade", afirmou Zhang Hui, gerente de vendas da Fruitday, empresa de entregas de alimentos em domicílio que atua no mercado chinês.

Até redes ocidentais de fast-food, como KFC e McDonald’s, precisaram se adaptar à mudança no gosto de seus consumidores de renda mais alta. Em março, a Yum China, que opera 5 mil lojas da KFC na China, lançou sua "série abacate" de sanduíches e wraps de frango com guacamole. A fruta usada é importada do México.

"O produto é considerado algo bem saudável e nobre", disse Joey Wat, diretor de operações da Yum China. Uma promoção com itens do cardápio que levam abacate teve tanta demanda que acabou antes do previsto, por falta de produto.

A China praticamente não tem experiência no cultivo comercial de abacates, de forma que as importações provavelmente vão continuar a predominar por anos.

O México começou a exportar para o mercado chinês em 2011, quando o abacate ainda era "uma fruta muito rara", segundo Alejandro Salas, comissário de comércio exterior mexicano na China. Ele prevê que a demanda do país asiático vá ajudar o México a diversificar os destinos de suas vendas e reduzir a dependência em relação a seu principal mercado, os EUA.

Autoridades mexicanas chegam a organizar eventos para promover a fruta na China, nos quais ensinam chefes de cozinha a preparar receitas como batidas de abacate e tofu. Mas em 2016 o país foi superado pelo Chile como principal exportador para a China. O país sul-americano tem a vantagem de manter um acordo de livre comércio com os chineses, enquanto os exportadores mexicanos de abacate precisam pagar tarifa de 10%.

O Peru também tem um acordo de livre comércio com a China, e começa a se aproveitar disso. Neste mês, a Fruitday recebeu na China, por avião, seu primeiro lote de abacates peruanos "Big Mac", assim apelidados por serem mais pesados que a variedade média.

Também já há sinais de que empresas chinesas vêm procurando fazendas de abacate no exterior para garantir oferta. A Shenzhen Kondarl comunicou à bolsa de valores de Shenzhen, em março, que estava perto de concluir a aquisição da maior fazenda de abacates da Austrália, por quase US$ 200 milhões. (Tradução de Sabino Ahumada)

(Tom Hancock | Financial Times, de Xangai)

Por Tom Hancock | Financial Times, de Xangai

Fonte : Valor