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Citricultores esperam aval do CMN para prorrogar dívidas

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Valor em débito está estimado em R$ 600 milhões

Marielise Ferreira

Foto: Marielise Ferreira / Agencia RBS

Produtores ainda têm esperanças de que o governo renove o financiamento para enxugar parte do excesso de produção

O presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga, Marco Antonio dos Santos, espera para esta quinta, dia 26, a aprovação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) do voto sobre aprorrogação das dívidas dos citricultores paulistas, estimada em R$ 600 milhões. O alongamento das dívidas foi anunciado pelo governo em reunião na semana passada entre os citricultores e dirigentes do Ministério da Agricultura.

Também nesta quinta, os sindicatos rurais dos municípios citrícolas de São Paulo promovem um protesto contra a falta de perspectiva de venda e a perda nos pomares da laranja precoce dos citricultores que não têm contratos firmados com as indústrias. As empresas priorizam o processamento da fruta própria e de fornecedores contratados. A manifestação, que acontecerá no posto Laranjeiras, situado no Km 327 da rodovia Washington Luiz, deve reunir cerca de 600 produtores, segundo Santos.

Ele disse que ainda não existe uma solução para o excesso de laranja previsto para esta safra, que é estimado pela indústria em 80 milhões de caixas e pelos produtores em 50 milhões de caixas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não fechou a primeira estimativa para a safra de laranja 2012/2013, que deveria ser anunciada em abril deste ano. A Conab alega que ainda é preciso ajustar os dados com o Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura de São Paulo.

O IEA, no entanto, divulgou sua estimativa de produção de 365,25 milhões de caixas de 40,8 kg, que se aproxima dos 364 milhões de caixas previstas pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR). A safra é inferior aos 428 milhões de caixas colhidas no ano passado, mas os altos estoques de passagem no início desta safra e a retração das exportações geram o excedente de 87 milhões de caixas projetado pelas indústrias.

Santos afirmou ainda que aguarda uma posição do governo de São Paulo sobre a proposta feita pelo setor de compra de suco de laranja concentrado para os programas oficiais de alimentação, como o escolar. Ele informou que o governo federal também analisa a proposta, mas não existe posicionamento oficial. Ele calcula que mais de 8,5 milhões de caixas de laranja já se perderam nos pomares por falta de compradores.

A colheita de laranja começou há quase dois meses, mas somente na terça, dia 24, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) constatou que as indústrias estão com preços abertos para compra de laranja. O valor oferecido é de R$ 7 por caixa de 40,9 kg, mais da metade inferior ao último indicador do instituto, que foi de R$ 15 por caixa em abril do ano passado.

Em função da intervenção do governo federal, que no ano passado liberou R$ 240 milhões para as indústrias comprarem laranja com o compromisso de estocar o suco, na safra passada o valor de mercado foi o preço de referência estabelecido nas operações de crédito oficial, de R$ 10,50 por caixa. Os produtores ainda têm esperanças de que o governo renove o financiamento para enxugar parte do excesso de produção.

Conforme cálculos da Federação da Agricultura e Pecuária de São Paulo (Faesp), a citricultura emprega mais de 300 mil pessoas, gera receita bruta equivalente a R$ 4,4 bilhões e divisas com a exportação de suco de laranja de US$ 2,4 bilhões por ano. A entidade observa que a conjuntura atual tem afetado cerca de 13 mil citricultores e, mais severamente, aqueles que estão sem contrato (aproximadamente oito mil), além de 40 mil trabalhadores que não estão atuando na colheita e milhares de caminhoneiros.

Agência Estado

Fonte: Ruralbr