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Citricultores da região pretendem ampliar as exportações

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O polo de produção de laranjas e tangerinas de mesa sem sementes na metade sul do Rio Grande do Sul já cobre 2,5 mil hectares, calcula o pesquisador Roberto Pedroso de Oliveira, da Embrapa Clima Temperado, que participou da implantação das culturas desde as primeiras importações de mudas, em 1998.

O primeiro plantio comercial foi realizado em 2001 e hoje a área cresce cerca de 150 hectares ao ano, acrescenta o presidente da Associação dos Citricultores da Fronteira Oeste e da Associação dos Produtores de Mudas de Citros em Ambiente Protegido do Estado, Naldo Beck Epifânio.

Conforme Epifânio, a safra gaúcha deverá somar 8 mil toneladas neste ano e, com exceção de alguns pomares menores na região noroeste, praticamente toda a produção fica no centro-sul do Estado, em municípios como Rosário do Sul, Santa Margarida do Sul, Santa Maria, Júlio de Castilhos, São Gabriel, Uruguaiana e Santana do Livramento. Do total, 80% correspondem à produção de laranjas, estima o pesquisador da Embrapa.

Para o presidente da associação dos citricultores, a produção gaúcha de citros de mesa ainda não chega a suprir 5% do mercado potencial no país, que também se abastece de laranjas sem sementes importadas do Uruguai e da Espanha. Já as exportações são incipientes e se resumem a embarques para o Canadá feitos nos últimos quatro anos pela empresa Citrusul, de Rosário do Sul.

Neste ano, segundo Epifânio, as exportações deverão alcançar 200 toneladas, ante 100 em 2014. Segundo ele, o Brasil ainda não vende para a União Europeia, por exemplo, porque o Ministério da Agricultura não emite o certificado de ausência do cancro cítrico para cada lote embarcado, mas, sim, apenas para pomares inteiros. Como é quase impossível evitar completamente a doença, o segmento está negociando a alteração da regra com o governo.

Segundo Oliveira, o motivo da concentração dos cítricos de mesa sem sementes no sul do Estado é a amplitude térmica diária superior a 10 graus centígrados durante o período de colheita. Essa condição, única no país, garante coloração alaranjada intensa e um equilíbrio perfeito entre doçura e acidez para consumo das frutas in natura.

No Estado de São Paulo, que destina a maior parte da produção de laranja para fabricação de suco, a maioria das variedades cultivadas têm sementes.

As principais cultivares plantadas no sul do Rio Grande do Sul são do tipo de umbigo e derivadas da variedade baía, que se formou por mutação natural no século XIX na Bahia. De lá ela foi levada para países como EUA, Austrália e Venezuela, onde sofreu novas mutações e deu origem às variedades navelina, lane late e cara cara, respectivamente, e de onde os citricultores gaúchos importaram as mudas a partir do fim dos anos 1990. Há, ainda, a variedade salustiana – sem sementes, mas do tipo comum (sem umbigo).

Segundo o pesquisador da Embrapa, o Rio Grande do Sul tem outros dois polos de produção de cítricos, que podem ser consumidos in natura ou usados para a produção de sucos, mas que têm sementes e não apresentam a mesma coloração nem o equilíbrio entre acidez e doçura. No caso das laranjas, a maior parte desses pomares, que chegam a 25 mil hectares, está nas regiões norte e noroeste, enquanto a produção de tangerinas se concentra em 13 mil hectares no Vale do Caí, próximo à região metropolitana de Porto Alegre.

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Fonte: Valor | Por Sérgio Ruck Bueno | De Santa Margarida do Sul