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CIDADES VERDES – Casal investe R$ 40 mil e cria delivery de orgânicos em São Paulo

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Negócio funciona como uma feira online comercializando alimentos produzidos em agricultura familiar

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Eduardo Castagnaro e Carolina Brenoe Vieira, idealizadores do emprrendimento, separam as cestas de orgânicos (Foto: Divulgação)

Abrir uma tela, escolher os produtos e finalizar a compra. O maior esforço? Ir até o portão de casa ou buscar o pacote na portaria do prédio – tão comuns em São Paulo. Inclusive, foi pensando na rotina agitada dos paulistanos que surgiu o Leve BEM delivery de orgânicos. Como o próprio nome remete, a empresa entrega verduras, frutas, legumes e outros produtos sem agrotóxicos ou conservantes direto na sua residência.
O e-commerce existe desde 2013 e funciona como uma verdadeira feira, que funciona online. No site é possível comprar alface, tomate, banana, abacaxi, alho e até itens industrializados de marcas orgânicas e “naturebas”, como massas, mel, molhos de tomate e farinhas.

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Frutas, legumes e verduras são comercializados no e-commerce (Foto: Divulgação)

A ideia do empreendimento é do casal Carolina Brenoe Vieira, 32, e Eduardo Castagnaro, 35 anos. Em 2011, os dois levavam uma vida típica dos meios urbanos – moravam na capital paulista, trabalhavam no mundo corporativo e não consumiam orgânicos. Cansados da mesmice e com a vontade de ter uma experiência diferente, eles partiram para um ano sabático no exterior: passaram seis meses na Austrália e os outros seis na Tailândia e Indonésia. “[Com a viagem] nós mudamos nossa maneira de pensar e o que queríamos para nossa vida. Na volta, ficamos questionando muito o que a gente ia fazer dali para frente e decidimos abrir um negócio e sair da cidade grande”, conta Carolina.

O foco de atuação do Leve BEM também foi inspirado nessa jornada, visto que a culinária desses países asiáticos utiliza muitos vegetais e os dois começaram a ter contato e a se interessar por uma alimentação mais natural e saudável. Em seguida, o casal foi pesquisar quais áreas desse segmento gostaria de investir e qual o modelo de negócio era o mais apropriado para o novo estilo de vida que os dois pretendiam adotar. “Há cinco anos o mercado de orgânicos ainda era muito restrito. Existiam poucas feiras e nenhum delivery. Procurávamos informações e quase não achávamos. Vimos que tinha uma demanda em crescimento mas não tinha oferta”, fala Carolina.

Orgânicos: modismo ou fato?

Além de ter um cenário predominante verde, a região do município é polo de agricultores de orgânicos. Atualmente, os fornecedores dos alimentos vendidos no e-commerce são pequenos produtores familiares de todo o país que possuem certificação. A maior parte de folhagens e alguns legumes chegam de Ibiúna (SP) e as frutas, principalmente as regionais, são provenientes do Norte e Nordeste. Produtos do Rio Grande do Sul e de outras cidades do interior de São Paulo também são comercializados no site.
“Inicialmente a gente até queria plantar, mas é preciso ter um conhecimento da terra, da planta, do ciclo, que o produtor tem. Então a gente chegou à conclusão que não íamos dar conta de conciliar o site com o trabalho manual, e decidimos fortalecer a economia dos produtores locais”, diz a empreendedora.

Investimento e logística

Para tornar o negócio realidade, além do entusiasmo e força de vontade, o casal investiu cerca de R$ 40 mil, oriundos de finanças e da venda de um carro. “Pensamos no e-commerce pela praticidade do cliente, pela comodidade e também para ter um custo menor de manutenção. Desde o princípio não queríamos abrir uma loja física para que a gente não ficasse refém”, explica Carolina.

A única instalação física do Leve BEM é um galpão restrito – que fica em Vargem Grande Paulista -, onde o casal faz a triagem, a seleção e a finalização das 150 cestas que são vendidas, em média, por semana. É de lá também que a pequena equipe de motoristas sai, todas às terças e quintas, para realizar as entregas em São Paulo.

No geral, o delivery abrange as zonas oeste e sul da cidade. Entre os bairros atendidos estão Lapa, Barra Funda, Jardins, Vila Olímpia, Pinheiros, Itaim, Brooklin, Bosque da Saúde, Butantã, Chácara Santo Antônio, Morumbi, Centro e até a região de Alphaville.

Apesar do público-alvo ser pessoas que levam uma rotina agitada, Carolina e Eduardo também atendem algumas padarias, colégios e restaurantes em vendas por atacado. Ocasionalmente, eles participam de eventos e feiras para divulgar o Leve BEM, conhecer e tirar dúvidas de clientes. Em datas específicas, o casal também monta uma “feirinha” no estúdio My Yoga e no restaurante Casa Tavares, ambos do Jardim Paulista, para vender os orgânicos. Por serem parceiros, o restaurante também utiliza os alimentos para realizar um brunch orgânico.

Mercado

De 2013 para cá, o setor de orgânicos foi um dos que mais cresceu no Brasil e no mundo. Segundo o Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), o mercado nacional cresceu 20%, com faturamento aproximado de R$ 3 bilhões em 2016. No mesmo ano, as exportações somaram US$ 145 milhões. Para 2017, a expectativa de crescimento da Organis é de 10%. Já no planeta, estima-se que o setor movimente de US$ 80 a 90 bilhões por ano, representando 80% do mercado global.

Para Ming Liu, diretor da Organis, as pessoas estão cada vez mais interessadas em comprar alimentos que sejam mais naturais, fugindo dos industrializados e ficando perto dos orgânicos. “O consumidor está buscando alternativas com mais qualidade em termos de segurança e saúde. O empreendedor tem que estar atento ao produto que ele oferece para conquistar a fidelização do cliente”, afirma Liu.

O diretor também ressalta que quem pretende investir no setor deve entender que os orgânicos não são algo passageiro, mas sim um mercado com forte potencial que possui maior demanda que oferta. “Não é uma área de retorno rápido e também não é onda, não é moda. É um mercado muito dinâmico”, finaliza.

Fonte : Globo Rural