Chuvas irregulares atrasam plantio de soja em MT e podem afetar a safrinha de milho

As chuvas irregulares que caem atualmente em polos de grãos da região Centro-Oeste do país podem causar problemas para a segunda safra de milho desta temporada 2017/18, cujo plantio começará em janeiro.

Ocorre que, com menos precipitações que o necessário, a semeadura de soja de verão, que está em curso, está caminhando lentamente, o que tende a atrasar a colheita da oleaginosa e, assim, o plantio do milho na sequência.

Embora ainda seja cedo para estimar o alcance do problema, grandes produtores de Mato Grosso, Estado que lidera a colheita nacional de soja e milho, já estão preocupados em não conseguir plantar a extensão do cereal planejada.

"Ainda não podemos dizer que a falta de chuva vai prejudicar a produtividade de soja, mas a área da safrinha de milho está comprometida", disse Rodrigo Pozzobon, produtor de Sorriso (MT), no médio-norte do Estado, região responsável por cerca de 30% da produção mato-grossense.

Segundo o agricultor, a área de soja plantada até 20 de outubro é a que poderá receber, posteriormente, a segunda safra de milho ainda durante a "janela climática "ideal" – com chuvas para o desenvolvimento do cereal. "Mas não conseguimos plantar a soja que tínhamos planejado. Comprei semente de milho e devo perder".

Para o agrometereologista Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima, ainda é prematuro apostar em produção de milho menor que a projetada. "A janela ideal para o plantio do milho safrinha em Mato Grosso vai de 20 de janeiro a 20 de fevereiro. Essa janela ficará apertada, mas há a possibilidade de as chuvas se estenderem neste ano", avaliou.

Santos disse que a irregularidade de chuvas no início do plantio de soja pode ter gerado a necessidade de replantio pontual em áreas em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. Até agora, porém, esse movimento não é expressivo.

Até a sexta-feira, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a semeadura de soja havia chegado a 25,8% dos 9,4 milhões de hectares esperados para o ciclo 2017/18, abaixo da média para o período (30%). A projeção do Imea, ligado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), é que a colheita estadual da oleaginosa alcance 30,5 milhões toneladas no ciclo 2017/18, 2,08% a menos que em 2016/17.

"Há um atraso, mas não deve trazer perda de produtividade de soja e há previsão de chuvas com volume significativo para o fim de semana", avaliou Ana Luiza Lodi, analista da INTL FCStone.

Endrigo Dalcin, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), lembrou que havia uma previsão de regularização das chuvas no Estado na segunda quinzena deste mês, que não se concretizou. "Seguramente, a nossa safrinha de milho vai ficar estrangulada".

Segundo a analista da INTL FCStone, "esse estrangulamento", além de trazer uma diminuição da área de milho inverno, poderá, sim, elevar o risco da safra. "Se houver um veranico num momento importante do desenvolvimento, uma parte maior da produção será afetada", disse.

No Paraná o plantio não está atrasado – 51% da previsão de 5,435 milhões de hectares -, mas o risco é que temperaturas mais baixas alonguem o ciclo, o que também pode prejudicar a produção de milho no Estado. "As temperaturas, de fato, caíram, mas ainda é muito difícil dizer se esse quadro se manterá", ponderou Ana Luiza.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor