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Chuvas em excesso afetam qualidade do tomate

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Além de mais caros, os poucos tomates disponíveis em importantes polos consumidores do Centro-Sul também estão em geral pequenos e murchos. O problema é decorrente das chuvas abundantes deste início de ano nas principais regiões produtoras do Brasil.

O excesso de umidade tem prejudicado as plantações de tomate de mesa, que é colhido o ano todo, e encharcado as áreas onde será plantado o tomate para a indústria, cuja área será definida até março na maior parte do país.

Mesmo que contrarie os consumidores, a baixa oferta de tomate de qualidade faz com que os preços pagos aos produtores, que têm enfrentado um forte aumento de custos desde 2015, estejam bem mais remuneradores.

Cristalina, no leste de Goiás, a principal região produtora de tomate do país, recebeu 512 milímetros de chuva até 30 de janeiro, duas vezes e meia o volume que costuma receber nessa época, segundo dados da Climatempo.

Apesar da umidade, a perspectiva é que a produção fique estável em Goiás, nos cálculos da Emater do Estado, com 817,5 mil toneladas de tomate para a indústria e 62,1 mil toneladas de tomate de mesa. "O problema é a qualidade. Como o tomate para indústria é plantado em campo aberto, tem mais doença", atesta Luiz Cesar Gandolfi, gerente de assistência técnica da Emater.

Por enquanto, os produtores têm registrado índices menores de rendimento por causa do excesso de umidade. "A produção chega a 130 toneladas por hectare, mas nesse início de ano vai de 60 a 70 toneladas por causa das chuvas", diz Alécio Maróstica, presidente do sindicato rural de Cristalina.

Na região do Alto Paranaíba, no norte de Minas Gerais, segundo maior centro produtor de tomate do Brasil, as chuvas extrapolaram a média de janeiro em 100% e superaram 200 milímetros em algumas áreas, conforme estimativas da Climatempo. A umidade tem gerado "aumento de bactérias e frutos rachados, além da perda do produto", afirma Eliésio Carlos Rodrigues, um dos maiores produtores da região, em Patos de Minas.

Com foco na produção de tomate de mesa, Rodrigues conta que a insegurança com a produtividade por causa das doenças não incentiva o expansão da área. Neste início de 2016, a colheita tem resultado em 200 a 230 caixas a cada mil plantas, ante uma média de 300 caixas por mil plantas para essa época do ano.

"As chuvas mais recentes de janeiro dificultam o andamento desta safra no campo e o produtor ainda precisa lançar mão de defensivos para controlar doenças", explica Aline Veloso, coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg).

A necessidade de mais agrotóxicos eleva o custo, que já havia disparado em 2015. Em Goiás, o produtor desembolsou em novembro do ano passado (último mês em que há dados da federação de agricultores do Estado disponíveis) uma média de R$ 136,22 por tonelada para garantir a produção de tomate à indústria, incremento de 41% na comparação anual. "Todos os insumos aumentaram porque tudo é comprado em dólar", explica Gandolfi, da Emater de Goiás.

O preço pelo qual o produtor está vendendo o tomate para o mercado, em contrapartida, subiu bem mais. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura goiana, o valor do tomate de mesa recebido no campo ficou em R$ 4,84 o quilo na última semana de janeiro, alta de 80% na comparação com o período equivalente do ano passado. Gandolfi ressalva, entretanto, que a baixa qualidade e as perdas de produtividade reduzem os ganhos para parte dos produtores.

Em Minas Gerais, Estado mais forte na produção do tomate destinado ao varejo, os preços ao produtor estão cobrindo a alta dos custos de produção, segundo Veloso, assessora da Faemg. Desde o início de janeiro até o dia 23, o produtor recebeu, em média R$ 3,39 pelo quilo do tomate, quase duas vezes e meia o valor da média de janeiro de 2015.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor