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Chuvas beneficiam as lavouras no Rio Grande do Sul

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As chuvas que têm ocorrido no Estado desde o último final de semana beneficiaram os produtores de grãos. Devido ao déficit hídrico que se apresenta em grande parte do território gaúcho, algumas culturas de verão já registravam atraso no início do plantio, enquanto o trigo, principal lavoura de inverno, começava a enfrentar problemas em seu desenvolvimento.
No caso do milho, o período transcorrido com poucas precipitações nas regiões Norte e Noroeste do Estado fez com que alguns produtores parassem com a semeadura da cultura, esperando o retorno da umidade ao solo. Nesta época, como média, o Estado já deveria ter plantado cerca de 20% da área destinada ao cereal. Na semana passada, segundo a Emater-RS, esse percentual chegava a apenas 15% do total projetado para esta safra, o que representa algo como 150 mil ha já semeados.  Entretanto, as últimas chuvas parecem ter animado os produtores, segundo o gerente-técnico da Emater-RS, Dulphe Pinheiro Machado Neto. “Temos informações positivas do Interior. Choveu em todo o Estado, e no Noroeste, principal região produtora, tivemos até 70 milímetros”, afirma.
Já para o arroz, as precipitações verificadas ainda não foram suficientes para resolver as dificuldades que os produtores encontram no planejamento do próximo plantio. “As chuvas foram importantes, mas não suficientes para recuperar os níveis das barragens”, informa Cláudio Pereira, presidente do Instituto Rio-grandense do Arroz (Irga).
Alguns orizicultores já têm antecipado a semeadura em setembro com o objetivo de evitar a concentração do cultivo nos meses de outubro e novembro, quando a meteorologia prevê a ocorrência de precipitações mais intensas, o que dificultaria o plantio. No entanto, conforme o presidente do Irga, os agricultores ainda devem ser cautelosos na hora de tomar a decisão do tamanho da área de suas lavouras que será ocupada com arroz, privilegiando os locais onde a oferta de água é mais segura.
Em relação ao trigo, o período seco estava sendo adequado para as práticas culturais de controle de inços e aplicações de fungicidas. “As últimas precipitações foram altamente benéficas. O trigo não suporta chuva em excesso, mas também não tolera falta de água prolongada, e o déficit hídrico nas regiões produtoras já estava prejudicando as lavouras”, comenta Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Farsul.
Segundo ele, as novas chuvas previstas para as próximas semanas, desde que não sejam muito contínuas, deverão gerar precipitação suficiente para manter as altas expectativas de produção.

Fonte: Jornal do Comércio | Marcelo Beledeli