Chuva em MG preocupa cafeicultores

O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras de café de Minas Gerais, no início do período de colheita da safra 2015/16, começa a gerar preocupação no mercado. O temor é que as chuvas excessivas possam afetar a qualidade do café e derrubar os grãos das plantas.

Segundo Lúcio de Araújo Dias, superintendente comercial da Cooxupé – Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé -, se as chuvas persistirem na próxima semana já pode haver perda de qualidade. Além disso, observa, a queda dos grãos no chão também aumenta os custos da atividade. Além do Sul de Minas, os cafezais da zona da Mata mineira também vêm sendo afetados por chuvas.

Embora demonstre alguma preocupação, Thiago Cazarini, da Cazarini Trading, de Varginha (MG), avalia que se as chuvas continuarem até o início do próximo mês é que a situação pode se agravar. Isso porque a colheita está apenas se iniciando. A retirada do café das lavouras em Minas começa em meados de maio e se estende até novembro. De qualquer forma, as chuvas já afetam o café que está secando nos pátios.

Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, avalia que as chuvas "não atrapalham muito ainda", a não ser nos casos de produtores que estão colhendo adiantado. "Vai atrapalhar se continuar chovendo em junho", observa.

E, no momento em que a colheita de café se inicia, a comercialização do produto está em ritmo lento no país, segundo fontes do setor. "A comercialização ainda está bastante calma. O produtor não está satisfeito com os preços. Assim que a colheita tiver ritmo mais avançado, as negociações devem se aquecer", afirmou Cazarini.

"Quem tem café da safra 2014/15 está capitalizado e não vende fácil", disse Carvalhaes. De acordo com boletim informativo do Escritório Carvalhaes, na sexta-feira as cotações nominais para o café do tipo 6 para melhor, safra 2014/2015, estavam em R$ 440/450,00 por saca (boa qualidade, duros, bem preparados).

Em Nova York, o contrato de café para julho subiu 2,67% na semana e fechou a US$ 1,3825 por libra-peso na sexta-feira. As cotações subiram na semana apesar da projeção do escritório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) no Brasil prevendo que o país deve colher 52,4 milhões de sacas de café na safra 2015/16. A estimativa é bem superior às de outros agentes do mercado.

Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo