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Chuva atrasa plantio de grãos na Argentina

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Como no Brasil, o plantio da safra 2014/15 de grãos está atrasado na Argentina. Mas por motivos diferentes: por aqui, o atraso é fruto da escassez de chuvas, enquanto no vizinho o problema é o excesso delas.

Levantamento da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indica que já foram semeados na Argentina 7,2% da área prevista para a soja – ou 1,48 milhão de hectares, de um total de 20,6 milhões. Chuvas em importantes regiões produtoras do país nos últimos dias contiveram os trabalhos de campo, e a semeadura registrou uma evolução de apenas 1,2 ponto percentual na semana encerrada no dia 6. O ritmo atual está 3,5 pontos percentuais aquém do mesmo período de 2013 e 8 pontos inferior à média das últimas cinco safras.

"É provável que os excessos hídricos sobre amplos setores do norte de Buenos Aires tenham provocado a perda de áreas recentemente implantadas, que deverão ser replantadas uma vez que se recuperem as condições ambientais adequadas", avaliou a bolsa, em comunicado.

A semeadura de soja na Argentina está limitada não só pelo solo encharcado, mas também pelas condições ruins das estradas, que impedem o acesso a parte dos lotes. As regiões mais afetadas são o sul da Província de Entre Ríos, o centro e o sul de Santa Fé e o leste de Córdoba.

Por outro lado, as recentes precipitações trouxeram alívio a áreas produtoras do extremo norte argentino, que enfrentaram déficit hídrico severo nos últimos meses. Nessa região, já existem lavouras em floração e há boas condições de umidade, de acordo com a Bolsa de Cereais.

No caso do milho, a semeadura da safra 2014/15 também apresenta atraso na Argentina, mas menor. O plantio do grão está concluído em 37,4% da área total, uma evolução de 1,6 ponto percentual na última semana, conforme a Bolsa de Cereais. As recentes precipitações impuseram um atraso de 1,4 ponto percentual sobre igual intervalo de 2013.

No leste de Córdoba, houve queda de granizo, o que provocou "perdas parciais a totais de lotes de milho", segundo a bolsa. No extremo norte de Buenos Aires, há previsão de perdas de plantios por conta de excesso de umidade. Já o restante da zona produtora argentina, que recebeu apenas chuvas, apresenta condições "muito boas" de cultivo.

A expectativa da Bolsa de Cereais é de uma área plantada de 3 milhões de hectares de milho, 16% abaixo de 2013/14. No início do outubro, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) previu para a Argentina colheita de 55 milhões de toneladas de soja e 23 milhões de milho.

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo