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Cerca de 70 empresas já atuam no segmento no país

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Mercado que cresceu entre 40% e 50% em volume e valor no último ano, o segmento de cápsulas de café atrai empresas de todos os tamanhos e até produtores de café. Potencial de crescimento e possibilidade de agregar valor ao café têm sido os vetores desse crescimento, mesmo nos tempos mais recentes de crise.

Pelas estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), as cápsulas de café são consumidas em 474 mil lares, mas outros números do mercado sinalizam que pode ser mais do que isso. De acordo com Ricardo Souza, diretor de marketing da JDE, estima-se que haja atualmente 3 milhões de lares onde há consumo de cafés em cápsulas e em sachês (como a Senseo), isto é, das chamadas monodoses.

"Esse é um mercado que tende a crescer", reitera o executivo. Segundo estimativas citadas por Souza, o mercado de monodoses representa hoje 5% a 7% do montante total movimentado no mercado nacional de café como um todo, estimado em R$ 9 bilhões.

A evolução do número de empresas que investiram nas cápsulas no último ano chama atenção. O diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, afirma que há um ano eram seis empresas no segmento. Hoje, são entre 60 e 70, segundo ele.

Enquanto grandes como Nestlé e JDE trazem o produto do exterior já encapsulado e a 3Corações envia café do Brasil para ser encapsulado na Itália, empresas médias e pequenas recorrem à terceirização da produção pela portuguesa Kaffa, que abriu unidade de produção de cápsulas em Ribeirão Preto (SP) em julho do ano passado.

De acordo com Alexx Noga, diretor comercial e de marketing da Kaffa no Brasil, a empresa tem hoje 70 clientes ante apenas dois em julho de 2014. "Há cerca de 30 mais ativas, com produção quinzenal ou mensal", afirma. Além de empresas tradicionais do segmento como Café do Centro, Suplicy e Santa Mônica, a Kaffa encapsula também café para produtores que não atuam na torrefação.

Embora a produção de cápsulas da Kaffa cresça a uma taxa de 15% ao mês, Noga afirma que a expectativa era avançar ainda mais este ano. Mas veio a crise. "A estimativa era alcançar uma produção de 21 milhões de cápsulas no ano, mas deve ficar entre 16 milhões e 17 milhões", acrescenta. A meta de alcançar 100 clientes, porém, está mantida, diz.

Com o atual ritmo de crescimento do mercado de cápsulas, Nathan Herszkowicz, da Abic, avalia que "há espaço para atingir 20% dos lares brasileiros antes de 10 anos". Mas ele acredita que o número de empresas tende a diminuir. "Acompanhamos esse segmento em outros países. É um mercado de grandes players", diz. "A gôndola não é elástica", concorda Ricardo Souza, da multinacional JDE.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor