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CEO diz que Lala é "muito cuidadosa" em aquisições

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Henry Romero/Reuters

Rank: "Lala está constantemente analisando oportunidades de aquisição"

O diretor presidente da mexicana Lala Foods, Scot Rank, disse ontem, em teleconferência com analistas, que ao avaliar uma eventual aquisição a empresa de lácteos considera o risco do negócio, a capacidade de operá-lo de forma bem-sucedida e o valuation do ativo. A Lala, maior empresa de lácteos do México, negocia a aquisição da brasileira Vigor, controlada pela J&F, por R$ 6 bilhões, mas Rank não fez comentários sobre o assunto na teleconferência para divulgar os resultados da companhia no segundo trimestre deste ano.

Sem citar a Vigor, Rank disse "não ter informação relevante neste momento sobre qualquer possível aquisição ou aliança estratégica" pela Lala, referindo-se a notícias publicadas nos últimos dias tanto em jornais do Brasil quanto no México. Mas afirmou que "a Lala está constantemente analisando oportunidades de aquisição para expandir os negócios nas Américas". A empresa, que tem ações na bolsa mexicana, afirma ter como uma de suas prioridades as fusões e aquisições e alianças estratégicas.

Questionado por uma analista sobre o que a Lala considera para fazer uma aquisição, o CEO da empresa citou o valuation, "que é a combinação do fluxo de caixa descontado e múltiplos, e coisas dessa natureza". Destacou ainda que a Lala é "muito cuidadosa" em relação aos riscos de eventuais negócios. "Temos de ter certeza que todo risco está considerado em qualquer avaliação, olhamos para diferentes variáveis", acrescentou.

Além disso, afirmou, que é preciso ter em conta a habilidade para operar o negócio de forma bem-sucedida, e se a operação complementa as capacidades da empresa.

A cautela da Lala – fator com potencial para alongar as negociações com a Vigor – pode ser uma preocupação para a J&F, que tem pressa para fechar a transação. A holding viu secar o crédito após a delação dos controladores Wesley e Joesley Batista.

Indagado por outro analista sobre como financiariam uma possível aquisição, Alberto Arellano García, CFO da Lala, disse que todas as opções estão na mesa, inclusive a emissão de ações. E estimou que a Lala poderia assumir dívidas de até 2,5 ou 3 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 12 meses para uma eventual aquisição. No ano passado, o Ebitda da companhia foi de US$ 357,3 milhões.

No segundo trimestre deste ano, a Lala registrou um faturamento líquido de US$ 806 milhões, 16% acima de igual intervalo de 2016. O resultado líquido no período foi de US$ 61,9 milhões, 4,3% mais que no mesmo trimestre do ano passado. Em todo o ano passado, a empresa teve uma receita líquida de quase U$ 2,9 bilhões. A Lala registrava em 30 de junho deste ano uma dívida líquida de US$ 5,2 milhões.

Além do México, a Lala tem operações nos Estados Unidos e na América Central. Para a América do Norte, segundo a companhia, a estratégia são produtos de valor agregado e de nicho. Para o "resto das Américas", de acordo com Scot Rank, a empresa busca "operações significativas" que permitam entrar num mercado com uma base industrial sólida, que complementem seus negócios com novas categorias ou alianças estratégicas que criem economia de escala.

Conforme apurou o Valor, as negociações entre a Lala e a Vigor continuavam ontem até o fechamento desta edição. (Colaborou Carolina Mandl, de São Paulo)

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor