Cenário em Mato Grosso: mega safra de milho, falta de silos, preços baixos e medo da helicoverpa voraz

Estive na semana passada em Mato Grosso, nas cidades de Sinop e Sorriso, esta última a maior produtora de soja do Estado. Fui assistir a colheita do milho safrinha. Vem aí uma enxurrada do cereal: Mato Grosso deverá tirar 18,6 milhões de toneladas, expressivos 23,8% mais do que na safra passada. Se o volume é recorde, problemas estão brotando por conta da falta de armazém para abrigar a supersafra e também devido ao preço pago pela saca, abaixo da cotação de 2012.

Globo Rural vai publicar uma grande reportagem sobre o milho safrinha e as expectativas para a soja, que começa a ser plantada em outubro, na sua edição de agosto. O que posso adiantar é que surge no horizonte sinais de novo recorde para a soja na safra 2013/2014. Mas atenção: a lagarta Helicoverpa armigera, detectada em mais de 60 municípios produtores de Mato Grosso, espalha forte apreensão entre os agricultores. O presidente do Sindicato Rural de Sinop, município que é um importante centro de plantio e comercialização de grãos, Leonildo Bares, me disse que, “se a lagarta atacar e ficar sem controle, com certeza o Brasil não conseguirá estabelecer um novo recorde de produção de soja na safra 2013/2014”.

Os agricultores estão atentos, adianta Bares. No fim de semana que passou, por exemplo, entidades que os representam se reuniram num workshop com dezenas de agricultores em Sorriso, a 80 quilômetros de Sinop, e discutiram formas de combater a lagarta, cuja voracidade é espantosa e ataca diversas culturas, como soja, milho e algodão. Leonildo Bares me contou que existem produtos para combater a helicoverpa, porém, eles são fabricados lá fora e até o momento não houve autorização do governo para o Brasil importá-los. “Resultado: a safra de algodão na Bahia, por exemplo, foi bastante reduzida por conta do ataque da lagarta.”

(Foto: Marcelo Min)

Fonte: Globo Rural