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Código Florestal: Marina Silva pede veto de Dilma

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Ex-ministra do Meio Ambiente esteve na conferência climática da ONU, em Durban na África do Sul

Lia de Paula

Foto: Lia de Paula / Agência Senado,Divulgação

Novo texto do Código Florestal foi aprovado na noite desta terça, dia 6, no Plenário do Senado com 58 votos a favor e oito contra

Em meio a reações na conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU), em Durban, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva pediu à presidente Dilma Rousseff que vete o Código Florestal, aprovado na semana passada pelo Senado.
– A lei que foi aprovada no Senado reduz a proteção das florestas e anistia desmatadores. Ampliará o desmatamento. Ainda nos resta a presidente Dilma, porque ela assumiu o compromisso de que vetaria qualquer dispositivo que significasse aumento de desmatamento e anistia para os desmatadores. É um compromisso assumido com todos os brasileiros – afirmou a ex-ministra.
A aprovação da reforma do Código Florestal brasileiro provocou forte reação das organizações ambientalistas em Durban. Elas advertiram que o Brasil enfrentará as mudanças climáticas a partir de uma reforma legal impulsionada pelos agricultores.
No momento em que o Senado votava a lei, um enorme painel luminoso do Greenpeace pedia que Dilma "pare a motossera". Foi refletido no hotel onde ocorreu a conferência que reúne 194 países em busca de soluções para as mudanças climáticas. Os ambientalistas exigem o veto da presidente.
– A aprovação desta lei tornará praticamente impossível que o Brasil alcance seus compromissos apresentados na conferência climática de 2009, em Copenhague, quando o país se comprometeu a reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia – apontou o diretor internacional do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Jim Leape.
O Brasil é o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, principalmente devido às emissões provocadas pelo desmatamento. O Observatório do Clima, que reúne 34 organizações ambientalistas, calcula que a reforma ameaça 79 milhões de hectares de florestas que ficarão sem proteção ou deixarão de ser replantadas, uma superfície equivalente a Alemanha, Áustria e Itália juntas.
A reforma aprovada pelo Senado estabeleceu o percentual de cobertura vegetal original que os proprietários rurais têm que preservar em suas propriedades e que chega a 80% na Amazônia.
Antes de ser submetido à sanção presidencial, o Código Florestal seguirá para a Câmara dos Deputados, para que sejam apreciadas as mudanças feitas pelos senadores.
A Confederação da Agricultura e Pecuária, porém, afirma que a lei dará segurança jurídica ao campo. Segundo a entidade, a mudança não vai promover mais desmatamentos.

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Infográfico: Confira os dois lados do relatório
do Código Florestal aprovado no Senado

Fonte: Ruralbr | ZERO HORA