Case IH espera manter resultados este ano

Case IH fez ajustes que incluíram demissões e cortes de custo, disse Romagnoli
Depois de um 2015 difícil, em que o setor de máquinas agrícolas no Brasil amargou redução expressiva das vendas, a Case IH, uma das principais marcas do setor, espera em 2016 ao menos empatar com os resultados do ano passado. Isso não significa, contudo, que avanços estejam fora dos planos. A Case IH aposta em uma nova linha de colheitadeiras de grãos, que absorveu um investimento de US$ 40 milhões – o maior já feito pela companhia em um único produto na América Latina -, para abocanhar uma fatia maior de mercado nesse segmento.

"Diante da situação atual, acho que podemos chamar isso de otimismo", disse Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH para a América Latina. Conforme o executivo, a marca já fez ajustes em 2015 para enfrentar um período mais difícil, com atenção à gestão de custos e da produção. "Estamos mais preparados do que em 2015, quando viemos de um 2014 não tão ruim e um 2013 espetacular. A grande variável será o financiamento. Temos que confiar que o governo cumprirá o prometido [em termos de oferta de crédito]".

A divisão de equipamentos agrícolas da CNH Industrial, detentora das marcas Case IH e New Holland, enfrentou uma redução de 27,5% nas vendas globais no ano passado, para US$ 11,02 bilhões. Segundo a companhia, declínios nas vendas na América do Norte e na América Latina pesaram sobre os resultados.

Tradicionalmente associada a máquinas de maior potência (mais caras), a Case IH não escapou dos efeitos da postura mais arredia do produtor brasileiro para a renovação de máquinas em 2015, diante das incertezas político-econômicas e dificuldades no acesso ao crédito rural. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que as vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias caíram 34,4% em 2015, para 45 mil unidades.

A Case fechou o ano passado com 799 colheitadeiras entregues a agricultores no país (quase 23% a menos que em 2014), e 18% de market share nesse segmento. Para 2016, a previsão é vender entre 750 e 800 unidades, mas ampliar a participação para 20% do mercado. A expectativa é que a nova série de colheitadeiras – que carrega uma modernização na tecnologia de debulha do grão, em quatro modelos desenvolvidos no Brasil -, responda por mais da metade das vendas este ano, com preços entre R$ 600 mil e R$ 950 mil por unidade. Cerca de 30 dessas máquinas foram entregues desde janeiro.

Para convencer o produtor a investir, a Case IH confia no atrativo das economias oferecidas por uma máquina nova. "Trocando uma colheitadeira por outra mais produtiva, o agricultor economizará tempo, combustível, itens importantes num momento de aperto das margens", disse Romagnoli.

Em tratores, a Case IH quer deter 10% do mercado (hoje são 7%), mas vê uma evolução mais lenta nessa frente, em função da maior concorrência – inclusive "dentro de casa". Nos últimos anos, a Case fortaleceu o portfólio de tratores de menor potência e acirrou a rivalidade com a marca-irmã New Holland. "O que é saudável, de certa maneira, porque obriga todos nós a fazer o melhor".

As duas marcas também dividem espaço em três unidades da CNH Industrial no país, em Sorocaba e Piracicaba, ambas em São Paulo, e em Curitiba, no Paraná. No ano passado, a queda de vendas levou a um enxugamento do quadro de funcionários – foram 240 demitidos apenas em Curitiba. Conforme Romagnoli, há uma parada técnica na linha de colheitadeiras um pouco maior que o normal programada para abril e maio na unidade de Sorocaba, mais para ajustar os estoques. Os projetos de investimentos, contudo, continuam firmes. O próximo passo, disse, será investir nas linhas de plantadeiras e pulverizadores. Os aportes ainda não foram definidos.

Por Mariana Caetano | Sorocaba (SP)

Fonte : Valor