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Carne bovina enfrenta desafios nos EUA

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O atual ambiente operacional desafiador para as companhias processadoras de carne bovina dos EUA deve continuar pelos próximos dois anos pelo menos, enquanto o ciclo favorável no Brasil pode ter atingido seu pico, segundo relatório da Moody’s Investors Service.

Intitulado "Setor de carne bovina nos EUA vive queda acentuada, enquanto o Brasil atinge seu auge", o relatório diz que o desempenho das duas maiores processadoras de carne bovina do mundo terá diferenças marcantes no decorrer do próximo ano. "Os processadores de carne bovina dos EUA estão atualmente enfrentando desafios por conta dos preços altos, menores volumes e volatilidade dos preços da ração", afirma Brian Weddington, vice-presidente sênior de crédito da Moody’s. "Esperamos que o desempenho dos ganhos das empresas em 2013 e 2014 seja o pior em uma década".

Por outro lado, os produtores de carne bovina do Brasil se beneficiam da oferta maior de bovinos, o que tem mantido os preços em queda e os ganhos das empresas, elevados, diz o relatório. Mas há sinais de que as condições favoráveis já podem ter alcançado seu pico. "Enquanto os processadores brasileiros devem continuar lucrativos, suas margens Ebitda podem se deteriorar no próximo ano em função, em parte, dos altos custos relacionados à recente expansão da capacidade e à expectativa de que não haja mais quedas nos preços do gado bovino", diz Marianna Waltz, diretora associada.

Conforme a Moody’s, os pecuaristas brasileiros têm vantagens competitivas em relação a seus concorrentes americanos. A razão é que os rebanhos são alimentados a pasto, o que significa menos volatilidade de custos e oferta mais estável. Já a indústria americana depende de insumos mais caros e voláteis, como milho e soja, o que contribui para uma oferta mais instável de bovinos.

Entre as empresas, diz a Moody’s, a Minerva Foods, que é a maior beneficiada por esse cenário, também pode ser afetada quando o ciclo favorável da pecuária bovina brasileira mudar. Diferentemente de concorrentes como JBS e Marfrig, a Minerva adotou como estratégia não diversificar a produção, restringindo suas operações à produção de carne bovina na América do Sul.

Segundo a Moody’s, empresas de portfólio mais diversificado como JBS e a americana Tyson provavelmente verão os lucros da operação de bovinos nos EUA declinarem. Mas os negócios em outras proteínas devem ter bons resultados e compensar esse declínio.

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Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo