Cargill planeja avanço na área de ração

"A missão é ser um dos top 3 no setor de bovinos", afirma Celso do Amaral Mello
Quatro anos após voltar ao mercado brasileiro de nutrição animal, a americana Cargill, maior empresa de agronegócios do mundo, está decidida a ampliar a atuação nessa frente de negócios. Já representativa no segmento de aves e suínos, a empresa vislumbra se tornar também uma três maiores companhias de ração para bovinos nos próximos cinco anos. O objetivo já conta com sinal verde para aquisições ou construção de uma fábrica.

"Não seremos um ‘player’ a mais no mercado. A missão é ser um dos top 3 no setor de bovinos", afirmou ao Valor o diretor-geral da Cargill Nutrição Animal para o Brasil, Celso do Amaral Mello. De acordo com o executivo, a entrada na área de bovinos criados a pasto – na prática, ingressar na produção de sal mineral – é essencial para que a área de negócios mantenha a taxa de crescimento anual de dois dígitos.

A expectativa do executivo é que a Cargill Nutrição Animal encerre este ano com um faturamento de cerca de R$ 850 milhões no Brasil, crescimento de mais de 25% na comparação com os cerca de R$ 650 milhões de 2014. Puxado por operações de trading e processamento de grãos, o faturamento total da múlti no país chegou a R$ 26,2 bilhões no ano passado.

O porte da Cargill, aliás, é um dos trunfos para avançar em nutrição animal no Brasil, ressaltou Mello. "Sem arrogância: se pedir, a Cargill tem dinheiro para construir uma fábrica", assegurou ele. Pelas contas do executivo, erguer uma fábrica para a produção de sal mineral custa R$ 30 milhões.

Mello ressaltou, porém, que não há uma decisão nesse sentido porque a empresa ainda avalia outras alternativas. A Cargill Nutrição Animal também pode fazer aquisições ou mesmo as duas coisas. "A gente tem olhado algumas opções regionais", disse. Ele argumentou que, a depender do porte de uma eventual aquisição, uma nova unidade ainda seria necessária.

Para Mello, a Cargill terá de ir além do investimento em produção. Segundo ele, contar com uma rede de distribuição – com representantes e revendas exclusivos – espalhada pelo Brasil é ainda mais importante. "Montar essa rede toma um certo tempo", reconheceu.

De toda maneira, a Cargill Nutrição Animal já está produzindo sal mineral nas três fábricas que possui para "testar" o mercado. "No momento certo, teremos a fábrica só de sal", afirmou o diretor-geral.

De acordo com Mello, as fábricas da companhia em Itapira (SP), Toledo (PR) e Chapecó (SC) não são ideais para a produção de sal mineral. Essas plantas têm foco na produção dos chamados "premixes" (pré-misturas de vitaminas e minerais que compõem a ração), que são usados na alimentação de aves e suínos. Atualmente, esses dois segmentos respondem por entre 20% e 25% do faturamento da empresa, respectivamente.

Nessas unidades, já há produção voltada para bovinos – para rebanho leiteiro e para gado criado em confinamentos. Conforme o executivo, a Cargill já tem uma participação relevante nas vendas de produtos para confinamentos. Mas o mercado de sal mineral é muito maior. Apenas cerca de 10% do rebanho abatido anualmente no Brasil passa pelos confinamentos. O restante é criado a pasto. "A Cargill ainda não está atingindo esse rebanho", disse, reforçando a necessidade dos investimentos no país.

Confiante nos aportes que a empresa fará nos próximos anos, Mello também fez questão lembrar que a área de nutrição animal ganhou mais relevância para a Cargill como um todo neste ano, com a aquisição da norueguesa Ewos, com foco em ração para salmão. "Em 150 anos, as duas maiores aquisições foram em nutrição animal", afirmou, citando a compra da holandesa Provimi, em 2011, marcando assim a volta da Cargill Nutrição Animal ao Brasil com a marca de "premix" Nutron.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Fonte : Valor