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Cargill pede indenização à Syngenta

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A americana Cargill, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, entrou na sexta-feira com uma ação no tribunal do Estado da Louisiana pedindo indenização à Syngenta Seeds, braço do grupo agroquímico suíço, pela comercialização de uma semente de milho transgênica não aprovada na China.

O produto que está no centro das discussões é o milho Agrisure Viptera, também conhecido por MIR 162. Em comunicado, a Cargill confirmou que duas de suas instalações de exportação, em Reserve e Westwego, ambas na Louisiana, carregaram navios que seguiam para a China mas foram rejeitados, por conta da detecção da variedade da Syngenta.

"Ao contrário de outras empresas de sementes, a Syngenta não praticou uma administração responsável ao comercializar amplamente um novo produto antes de receber a aprovação de um mercado-chave de exportação, como a China", disse Mark Stonacek, presidente da Cadeia de Abastecimento de Grãos e Oleaginosas da Cargill na América do Norte. Na nota, o executivo afirmou, ainda, que a múlti suíça também "colocou em risco" a habilidade da agricultura dos EUA em servir os mercados globais, o que causou "danos significativos" à Cargill e à indústria agrícola americana.

Carregamentos dos EUA contendo milho MIR 162 têm sido rejeitados pela China desde o fim do ano passado. Estima-se que ao menos um milhão de toneladas da commodity tenham tomado o caminho de volta ao país. O fato de a variedade ser plantada em algumas localidades do Brasil também é apontado por especialistas como um fator que tem complicado as exportações do grão brasileiro aos chineses.

De acordo com a Cargill, um estudo da Associação Nacional de Grãos e Ração Animal estimou que os agricultores e exportadores americanos perderam até US$ 2,9 bilhões por conta do "ambiente de incerteza comercial". Stonacek destacou que a opção pela via judicial aconteceu depois de as conversas com a Syngenta terem se mostrado improdutivas.

À agência Dow Jones Newswires, a Syngenta disse que o processo "não tem mérito" e que tem sido "completamente transparente" em comercializar o trait ("evento" transgênico) nos últimos quatro anos.

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo