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Caravanas de agricultores lotam feira

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Excursões do interior do Rio Grande do Sul e até de Santa Catarina levam milhares de pessoas ao parque de exposições. Programa envolve famílias inteiras de produtores, que fazem inscrição com antecedência e ganham direito a acesso gratuito

Em passo despreocupado, sem muito rumo definido, milhares de agricultores circulam diariamente na Expointer, em Esteio. Só ontem, 10 mil pessoas ingressaram sem pagar nada pelo portão 6. Hoje, as caravanas devem trazer mais 10 mil visitantes.
De Cerro Branco, município de 4 mil habitantes localizado no Vale do Rio Pardo, vieram as famílias Züge e Rückert. Com eles, mais de uma centena de moradores divididos em dois ônibus e um micro-ônibus.
– Estamos em 120 pessoas. São produtores de arroz, fumo e leite. Tem bastante gente que vem com a família completa – conta o técnico agrícola da Emater Hanei Bredow, um dos responsáveis por trazer o pessoal de Cerro Branco.
A turma embarcou às 6h para percorrer o trajeto de quase quatro horas. Cansados, subiram no ônibus às 17h, após horas e horas de pernadas e descobertas. Quem ditou o ritmo da visita nas famílias Züge e Rückert foi Maria Luísa de Moura Züge, 9 anos. Ao lado de pais, irmãos, tios e da avó (o avô se perdeu do grupo), Malu passeou entre máquinas, vacas, coelhos e até animais que identificou de forma equivocada:
– Não sei se é esquilo ou coelho.
– É chinchila – explicou a mãe, Joselaine de Moura Züge, 43 anos.
Há mais de uma década essas famílias não visitavam o Parque de Exposições Assis Brasil. Com os filhos pequenos, preferiram evitar o tumulto da feira. Nos pavilhões, perder alguém de vista é uma questão de segundos. O avô fez o passeio por conta.
– Onde tu tá, pai? Nós estamos aqui nas máquinas, nem sei direito onde – disse ao celular a avó Olda Rückert, 60 anos.
Sem objetivo específico, as mulheres acompanham os maridos, que avaliavam as esteiras de tratores expostas. Quando pararam para olhar os cobertores à venda, quase se dissiparam dos outros.
FOTOS DE ANIMAIS E SORVETE À TARDE
Em Cerro Branco, Malu diz que cultivam de tudo um pouco. Fumo, arroz, milho, gado e galinhas são exemplos. Esperta, ela pediu bonés no estande de um banco e garantiu a proteção ao sol que, por mais um dia, apareceu em Esteio e ajudou a lotar o parque. Os 120 agricultores da caravana, que se separaram durante o dia, estavam acompanhados por mais 48 mil pessoas no passeio.
– Tu não enxerga ninguém conhecido – constata Joselaine.
Com câmeras em mãos, os agricultores registram um ambiente ao qual estão familiarizados, mas que na Expointer ganha encanto especial. Fotos de galos e coelhos se tornarão uma bela lembrança de um dia que teve almoço no pavilhão da agricultura familiar e sorvete minutos antes da partida.
O portão 7 é o ponto de encontro para as caravanas que ontem tinham origem em cidades da Serra, como Vacaria, do Litoral, como Capão da Canoa, e até de Santa Catarina. Como os ônibus estacionam nas vias laterais do entorno do parque, é fundamental manter o grupo unido na saída. Mas quem organiza as viagens todo ano garante: um sempre se atrasa, justo aquele de que ninguém tem o número de celular.
leticia.costa@zerohora.com.br

LETÍCIA COSTA

MULTIMÍDIA

Fonte: Zero Hora