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Capacidade política de Kátia Abreu garante apoio do setor agropecuário

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Lideranças destacam o conhecimento na agricultura e a proximidade com Dilma Rousseff como pontos positivos; JBS nega resistência ou pressão contra o nome da senadora para o ministério

Nayara Figueiredo

Confirmação pode vir após o próximo  dia 15, data em que a senadora toma posse novamente na CNA

 

Confirmação pode vir após o próximo dia 15, data em que a senadora toma posse novamente na CNA
Foto: Divulgação

Brasília / São Paulo – O convite está feito e, conforme apurou o DCI, foi aceito. O nome da senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura terá o apoio do setor, com base em seu conhecimento na agricultura, e a aposta é que sua proximidade com a presidente Dilma Rousseff seja uma ferramenta de negócios.

Mesmo satisfeitas com o trabalho do atual ministro Neri Geller, tanto as lideranças do setor quanto a bancada de parlamentares têm a maioria otimista em relação à presidente reeleita na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – conhecida por seu perfil rústico e até difícil de lidar – para encabeçar a pasta agrícola.

"Será ela e está resolvido. Ela também é amiga da presidente [Dilma] e isso é uma coisa fundamental no nosso querido Brasil. Ter uma relação como essa, aberta e franca, favorece as negociações", ressalta o ex-ministro da Agricultura e coordenador da GV Agro, Roberto Rodrigues.

Apostas

A parlamentar já teria aceito o pedido de Dilma, feito na noite de 19 de novembro, e com o apoio do presidente nacional do PMDB, Michel Temer, manterá a pasta sob o controle do partido.

Agora, Kátia terá que ampliar o diálogo para conseguir apoio de outras lideranças do partido. A senadora teria recebido "carta branca" da presidência para montar a nova equipe. Dois nomes de sua confiança na Confederação são presença certa na equipe: Og Arão Vieira Rubert, secretário-executivo do Instituto CNA, e Décio Coutinho.

Apoio

"Se houver a consolidação, daremos nosso apoio. Kátia já foi presidente da Frente Parlamentar, está na CNA e é produtora. Tem todas as características para ser ministra" diz o presidente da Frente Parlamentar de Agricultura e Pecuária (FPA), deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS).

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, o Caio, acredita que a senadora terá facilidade para conversar com o setor apesar de ter características até agressivas, como na relação contrária aos ambientalistas.

O ministério precisa ter alguém com voz, capacidade de articulação política e o executivo para reivindicar os interesses do setor e a Kátia tem essas credenciais, é o que afirma o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Diniz Junqueira. "Ela será uma boa ministra porque vamos ter um ano difícil, de baixa para as commodities grãos e política macroeconômica mais restritiva, lembrando que, por vezes, cabe ao Ministério apenas executar decisões que vêm da Câmara e Casa Civil", acrescenta.

Em relação a um dos principais entraves do agronegócio, a infraestrutura, o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, comenta que a senadora esteve próxima deste segmento através da CNA e pode ser uma grande parceira. Entretanto, ele adianta que enquanto ministra Kátia será cobrada para melhorias na área.

Conflitos

Supostamente, a JBS Foods estaria do outro lado da moeda após um discurso realizado em 2013 no qual a senadora teria julgado antiética a campanha publicitária do frigorífico.

De acordo com publicações da imprensa, Joesley Batista, um dos donos do maior grupo de carnes do mundo, teria feito pressão contra o nome de Kátia junto à Casa Civil do governo, fato que, segundo a companhia, não aconteceu.

"Essa história não existe, não temos nada contra ela e nem fizemos nenhum tipo de manifestação. Reuniões secretas não aconteceram. Oficialmente, o que a empresa diz é que ela pode ser uma boa ministra, não cabe à JBS opinar sobre uma decisão que é da presidente [Dilma]", disse o frigorífico ao DCI, através da assessoria de imprensa.

Já o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Nabhan Garcia, destoa das demais lideranças e classifica a senadora como "traidora do setor", porém a adesão a este discurso ainda é baixa.

Fonte: DCI