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Capacidade instalada do segmento avança a taxas muito baixas no país

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Além das questões de curto prazo, preocupa o setor o fato de a capacidade instalada de cogeração estar crescendo a taxas ínfimas, diz o consultor da Unica Zilmar Souza. Em 2014, a potência instalada no setor era de 9,881 mil MW. Em junho deste ano, a capacidade subiu para 10,046 mil MW, com a entrada de novos projetos, planejados nos anos anteriores. Até o fim de 2015, conforme a Aneel, essa capacidade será elevada para 10,419 mil MW, um acréscimo de 538 MW sobre 2014.

"Para 2016, devem ser adicionados 473 MW ao parque industrial de cogeração com biomassa. Em 2017, apenas 194 MW e, em 2018, somente 100 MW. É preocupante, considerando que, apenas em 2010, entraram em operação 1,750 mil MW de capacidade de cogeração em usinas," compara.

Souza lembra que 2010 foi o ano em entraram em funcionamento os projetos que haviam vendido energia nos leilões exclusivos de biomassa, ocorridos entre 2005 e 2008, com condições de remuneração atrativas para a época. "Depois disso, o governo mudou as regras e o mercado se retraiu. Alguma sinalização positiva, com leilões a preços melhores, vem ocorrendo. Mas o setor sucroalcooleiro, assim como o segmento energético como um todo, está muito inseguro em investir", explica.

Neste ano, foi realizado um leilão de fontes alternativas A-5, no qual apenas dois projetos de biomassa venderam energia para entrega daqui a cinco anos. Juntos, esses dois projetos vão entregar 325,3 GWh ao preço máximo de R$ 278,5 o MWh. "É um valor acima dos leilões de biomassa findos em 2008. Mas os custos de implantação de uma planta de cogeração mudaram de lá para cá", diz Souza.

Por Fabiana Batista | De São Paulo
Fonte : Valor