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CANA – Há meios mais eficazes que taxar etanol importado, diz ministro

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Fernando Coelho Filho, de Minas e Energia, diz que assunto está em discussão dentro do governo

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O ministro Fernando Coelho Filho garantiu que o governo está atuando para garantir a viabilidade econômica da produção nacional de etanol (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse, nesta segunda-feira (26/6), que uma eventual taxação das importações de etanol está em discussão dentro do governo. Mas avaliou que existem “caminhos mais eficazes” para garantir a competitividade do produto nacional
Durante o Ethanol Summit, promovido pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Coelho Filho informou que a tarifa está em discussão junto com os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores.
“Tem sido discutida, é um pleito que é justo. Eu já manifestei a eles que estamos aí para apoiar, mas acho que tem outros caminhos que são mais eficazes e duradouros”, disse. “Os 17% dão a impressão de uma competitividade que não estamos tendo, mas não sei se conseguimos jogar esse jogo por muito tempo”, alertou.

A indústria sucroenergética reivindica a imposição de uma tarifa de 17% sobre o etanol de outros países. A medida visa inibir a entrada do combustível, principalmente, dos Estados Unidos, de onde vem quase tudo o que o mercado brasileiro importa.
Para o ministro, taxar as importações pode ser eficaz como política emergencial, mas não é uma solução estrutural de longo prazo. Fazendo referência aos próprios Estados Unidos lembrou que “nós já estamos sofrendo com a carne”.
Apesar da citação ao embargo à carne bovina brasileira, ele disse que “não há espaço” para que a taxação do etanol ganhe força como uma possível retaliação aos norte-americanos. Para Fernando Coelho Filho, são duas questões distintas.
“Não vamos reduzir isso ao boicote de uma indústria ou outra. Esse assunto tem que ser tratado individualmente e tentar solucionar”, ponderou.

Estoques

Fernando Coelho Filho garantiu que o governo está atuando para garantir a viabilidade econômica da produção nacional de etanol. Citou como exemplo, a resolução aprovada neste ano, que impõe ao importador de biocombustíveis a mesma regra de estocagem prevista para o produtor nacional.
“O produtor tem uma série de obrigações que o importador não tem. A ANP está se adequando à resolução para ver como cumpre. Esse tipo de medida é mais simpática que uma taxação e está na alçada do Ministério de Minas e Energia”, disse ele, sem prever um prazo para as regras entrarem em vigor.

RenovaBio

O ministro de Minas e Energia informou que ainda nesta semana deve ser publicada a resolução com as diretrizes do RenovaBio, programa de incentivo ao setor de bioenergia discutido entre o governo e o setor privado. Para ele, o programa dará mais segurança para investimentos no setor.
A partir da resolução, acrescentou o ministro, será definido o formato do projeto a ser levado ao Congresso Nacional. Fernando Coelho Filho acredita que existe um ambiente parlamentar favorável à aprovação das diretrizes do programa.
“Não tenho a menor dúvida de que uma pauta como essa, que incentiva a produção nacional, gera empregos e é simpática ao meio ambiente, vai ter apoio suficiente”, afirmou.

POR RAPHAEL SALOMÃO, DE SÃO PAULO (SP)

  • Fonte : Globo Rural