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Campo e Lavoura – Safra de verão – Risco de desabastecimento de arroz é descartado

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Garantia de que há produto suficiente para atender à demanda é da Câmara Setorial do grão

Risco de desabastecimento de arroz é descartado Gilmar de Souza/Agencia RBS

Estimativa de redução na produção gaúcha do cereal é de 15,1%Foto: Gilmar de Souza / Agencia RBS

O Brasil não corre risco de desabastecimento de arroz. As garantias de que há produto suficiente para atender à demanda vêm da Câmara Setorial do grão, que se reuniu nesta quinta-feira, em Alegrete, na Fronteira Oeste, onde ocorre a abertura oficial da colheita. O argumento de que pode faltar produto tem sido usado para sustentar a especulação de que talvez seja necessário pesar a mão na importação, além do usual – entre 500 mil toneladas e 800 mil toneladas por ano.

– O abastecimento está garantido – afirma Francisco Schardong, presidente da Câmara Setorial e da Comissão de Arroz da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

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A estimativa do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) é de redução de 15,1% na produção gaúcha – será 1,3 milhão de toneladas a menos do que o esperado no início do ciclo, somando 7,4 milhões de toneladas. O Estado é o grande protagonista, respondendo por mais de 60% da colheita nacional. O consumo no RS é de cerca de 1,3 milhão de toneladas. Ou seja: mesmo com redução na colheita há excedente, que precisa ser direcionado a outros Estados.

– O que ameaça o abastecimento não é a frustração de safra, é o agricultor frustrado. O volume produzido pelo país mais o importado normalmente é suficiente – opina Tiago Barata, diretor comercial do Irga.

A desmotivação vem do desequilíbrio das contas. Custos em alta achatam a renda. No atual cenário, o arrozeiro mal consegue empatar gastos e rendimentos. Com a redução na colheita, a diferença entre o investido e o recebido se acentua.

E se as perdas impostas pelo clima não afetarão o fornecimento, o mesmo não se pode dizer dos preços do produto no varejo. A combinação de custos em alta, oferta reduzida e influência do câmbio no arroz que vem de fora deve deixar o ingrediente de um dos principais pratos brasileiros mais caro.

– É muito provável que haja valorização. Mas em nenhum lugar do mundo o arroz é tão barato quanto no Brasil – argumenta Barata.

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Por: Gisele Loeblein

Fonte : Zero Hora