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Campo e Lavoura – Édson Bolfe: azeite brasileiro na dieta mediterrânea

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No Brasil, novas culturas podem proporcionar maior diversificação ao produtor rural

Édson Bolfe: azeite brasileiro na dieta mediterrânea Pixabay/Pixabay

O Brasil figura entre os cinco maiores consumidores do mundo em azeitonas de mesa e azeiteFoto: Pixabay / Pixabay

A dieta mediterrânea fundamenta-se em hábitos alimentares de consumo frequente de frutas, cereais, leguminosas, hortaliças, peixes, vinho, leite e derivados, nozes, amêndoas, azeitonas e seu azeite. Esta combinação tem conquistado cada vez mais adeptos em todo o mundo por oferecer alto teor de vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes que, segundo especialistas, auxiliam na prevenção de doenças e do envelhecimento.

No Brasil, novas culturas podem proporcionar maior diversificação ao produtor rural. É o caso da oliveira, considerada a "árvore da vida". Nativa da parte oriental do mar Mediterrâneo e conhecida cientificamente como Olea europaea L, ela tem merecido a atenção de instituições, pesquisadores, extensionistas e produtores. Registros indicam que o azeite já era utilizado como alimento e combustível desde o final do período neolítico (5 mil a.C).

Existem oliveirais em Israel e Portugal com mais de 2,5 mil anos de idade. Espanha, Itália, Grécia e Portugal somam mais de 70% da produção mundial e movimentam bilhões de dólares na cadeia produtiva. A Grécia possui o maior consumo médio por habitante (16 quilos por ano). No Brasil, onde 99% do azeite é importado, o potencial de aumento do consumo per capita (hoje de 0,5 quilos por ano) é enorme.

Nosso país figura entre os cinco maiores consumidores do mundo em azeitonas de mesa e azeite. Só em 2015 e 2016 importamos 115 mil toneladas de azeite, principalmente espanhol, português e argentino, totalizando US$ 550 milhões. Para atender à demanda crescente, as oliveiras já fazem parte de algumas paisagens brasileiras e envolvem centenas de propriedades e agroindústrias no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo.

Segundo sommeliers em azeite, o diferencial do produto brasileiro está no seu reduzido ciclo da produção até a gôndola dos supermercados e na sua pureza, superior em relação a muitos importados. A União Europeia estabelece parâmetros criteriosos: azeite extravirgem (composição e qualidade sensorial superior e com acidez inferior a 0,8%), azeite virgem (boa qualidade sensorial e acidez entre 0,8 e 2%), azeite lampante (uso industrial e acidez acima de 2%), e azeite refinado (uso industrial e de acidez variada).

Alguns dos desafios de crescimento no Brasil residem na jovialidade das plantações, pesquisas em variedades e manejo, volume e tecnologia de produção, assistência e crédito rural, certificação e conscientização dos consumidores. A Embrapa Clima Temperado (Pelotas) realizou estudo técnico indicando as áreas recomendáveis para a cultura da oliveira no Estado.

Surgem grandes oportunidades no que diz respeito ao desenvolvimento rural com o fortalecimento de associações de produtores, sistemas integrados com pecuária, diversificação da produção, agregação de valor pela agroindústria, criação de marcas regionais e turismo rural associado.As oliveiras e seu azeite têm potencial para seguir a mesma trajetória de sucesso da uva e do vinho brasileiro.

Fonte : Zero Hora