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Campo e Lavoura – Dedicação à terra – Produtores recebem prêmio Gente do Campo na 40ª Expointer

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Iniciativa de Zero Hora e Federação da Agricultura do Estado (Farsul) reconhece o trabalho feito para desenvolver o agronegócio gaúcho


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Foto: Colagem sobre fotos / Especial/ Pedro Brikalski / Especial/ Arquivo pessoal/ Pedro Brikalski / Especial

Na quarta edição, o prêmio Gente do Campo reconhece produtores que ajudam a cultivar o futuro do agronegócio no Rio Grande do Sul. O troféu será entregue no dia 26 de agosto, primeiro dia da 40ª Expointer. Promovida por Zero Hora e Federação da Agricultura do Estado (Farsul), a homenagem contempla quatro categorias: jovem, produtor do ano, empreendedorismo e tecnologia.

Conheça a história de cada um dos vencedores:

CATEGORIA JOVEM
Foco na gestão

Fernanda Scherer Gehling, 27 anos, pecuarista e líder sindical em CamaquãFoto: Especial / Especial

Faz apenas dois anos que Fernanda Scherer Gehling, 27 anos, se juntou ao pai na lida das fazendas de pecuária de corte e de produção de grãos, em Camaquã, Arambaré e São Lourenço do Sul, na região sul do Estado. Tempo suficiente para o rebanho ganhar brinco eletrônico, software de gestão, melhoramento genético, nutricional e manejo com foco em bem-estar animal. A propriedade ganhou endereço na internet e uma série de padrões de organização que auxiliam a rotina que envolve as 1,5 mil cabeças de gado hereford e braford e as plantações de soja e arroz.

— Sou a quarta geração de uma propriedade familiar que iniciou com a cultura do arroz, em 1923, e com o rebanho de gado hereford, em 1953, e braford, em 1987. Junto a meu pai ajudei a incrementar novas técnicas de gestão e a implantar tecnologias de precisão, pois a propriedade rural tem de ser gerida como empresa que é — conta Fernanda.

Durante a faculdade de Administração, na PUCRS, em Porto Alegre, a jovem adquiriu experiências em duas grandes empresas do Estado e, ao final do curso, realizou aperfeiçoamento nos Estados Unidos. Foi ao voltar para a terra natal que optou por aceitar o convite do pai.

O amor pelo agronegócio levou Fernanda a participar da diretoria da comissão jovem da Farsul e a fundar a comissão jovem do Sindicato Rural de Camaquã, da qual tornou-se presidente. O perfil já rendeu à Fernanda a oportunidade de estar entre os representantes gaúchos no Programa de Jovens Lideranças do Agronegócio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) do ano passado.

PRODUTOR DO ANO
Produção vertical

Jorge Strobel, 49 anos, agrônomo e agricultorFoto: Pedro Brikalski / Especial

A unidade de beneficiamento de semente em Condor, no noroeste do Estado, ainda está em fase de construção, mas reforça uma das qualidade que credencia os irmãos Strobel ao título de Produtor do Ano: a verticalidade. Nas últimas seis décadas, os filhos do seu Gehrardo cultivaram soja, milho, aveia, trigo, centeio, azevém, além de se dedicarem para a pecuária de leite. Agora, estão expandindo para a produção de sementes, aproveitando o clima favorável da região e a demanda que detectaram.

— Hoje em dia, investir em terra está difícil, porque os preços estão muito altos. Por isso, investimos em aumentar a produtividade da nossa fazenda, e também em agregar valor à propriedade, verticalizando a nossa receita — explica Jorge Strobel, agrônomo de 49 anos.

A aplicação, possível graças a financiamento do BNDES voltado ao agronegócio, não é o pioneiro da família. Há cerca de sete anos, o primeiro pivô para irrigar as lavouras de milho e soja foi implantado. Atualmente, já são sete, o que permite cobrir 20% dos 3,2 mil hectares com a tecnologia. A produtividade foi lá no alto: antes, os produtores colhiam 120 sacas por hectares. Agora, alcançam o dobro. Sem contar a estiagem, que passa longe.

A ideia é seguir aumentando o número de pivôs que fazem jorrar água por sistema de aspersão, sem deixar de lado o cuidado com o solo. Além de usar a agricultura de precisão, os Strobel nunca deixam as lavouras descobertas e procuram diversificar e misturar cultivares forrageiras para dar ao solo a maior quantidade de nutrientes possível.

EMPREENDEDORISMO
Sistema integrado

Luiz Eduardo Batalha, 70 anos, empresário e produtor de oliveirasFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Em mais de quatro décadas de agronegócio, Luiz Eduardo Batalha, 70 anos, já investiu em cana de açúcar, café, gado, ovinos e equinos em diversas regiões do país e até no Exterior.

O paulista ainda mantém fazendas com bovinos nas raças angus e nelore, mas é a produção de oliveiras em Pinheiro Machado, na campanha gaúcha, que concentra investimentos e faz bater mais forte o seu coração.

— Procurava um novo ramo quando descobri na fazenda da Miolo um teste com oliveiras. Até então, conhecia grandes olivais no mundo, mas nunca tinha visto no nosso território — conta Batalha.

As primeiras 10 mil oliveiras foram plantadas em uma área de 35 hectares em 2010. Passados sete anos, a área aumentou em mais de 10 vezes e hoje cerca de 100 mil pés preenchem um pomar de 400 hectares. A expectativa é colher mais de 40 quilos de azeitonas por árvore nesta safra. Pela primeira vez, além de azeite de oliva, parte da produção será destinada a azeitonas de mesa. O valor final do produto é menor e exige mais cuidados na colheita, com processo manual ao invés de mecanizado, mas, segundo Batalha, tem como vantagem o aproveitamento total do fruto.

O Estado tem potencial para se tornar polo nacional na produção de olivas. Por isso, Batalha decidiu criar um sistema integrado para o produto. Assim como já ocorre com o tabaco e com a cevada, a empresa de Pinheiro Machado vai oferecer assistência técnica, sementes, ajuda para financiamentos e garantir a compra total das azeitonas de produtores gaúchos. Em troca, poderá multiplicar sua produção.

TECNOLOGIA
Máxima eficiência

Foto: Pedro Brikalski / Especial

Apesar da forte ligação com o campo, Carlos Eduardo Sperotto, 51 anos, tenta afastar o apego quando o assunto são os negócios:

— Busco a máxima eficiência, usando muita tecnologia. A lavoura é um ativo, que precisa dar resultados.

Nascido em Ijuí, Sperotto passou boa parte da infância e a adolescência na Fazenda Tapera, em Santo Augusto, no noroeste do Estado. Mais conhecido por Chico, apelido dado pela irmã por causa da semelhante com o avô Francisco, assumiu a administração da propriedade da família na década de 1990. Hoje, cultiva 1,2 mil hectares com soja, trigo e feijão — dos quais mais da metade irrigados. Os 10 pivôs centrais, instalados ao longo de 10 anos, cobrem área de 660 hectares.

— A irrigação nos permitiu fazer safrinha de feijão após colheita de variedades precoces de soja. Essa rotação compensa a ausência do milho —detalha Sperotto.

Os bons resultados são atribuídos também ao uso de agricultura de precisão em toda a área. A frota de máquinas, renovada nos últimos anos, completa o conjunto de investimentos em busca de alta produtividade. O custo maior das lavouras é compensado pelos rendimentos colhidos. Nas três safras recentes, a fazenda alcançou médias históricas: 70 sacas por hectare no sequeiro e 80 sacas por hectare nas áreas irrigadas.

A tecnologia tem outro importante aliado na Fazenda Tapera: a gestão. Formado em Administração pela PUCRS, em Porto Alegre, o produtor prioriza também o sistema gerencial da propriedade e o treinamento dos funcionários.

Fonte : Zero Hora