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Campo e Lavoura -Anúncio na Expodireto – Safra de grãos recorde renderá R$ 29 bilhões à economia gaúcha

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Impacto financeiro refere-se às 30,8 milhões de toneladas a serem colhidas, sem contar reflexos indiretos na indústria, comércio e serviços

Safra de grãos recorde renderá R$ 29 bilhões à economia gaúcha Diogo Zanatta/Especial

Carro-chefe da supersafra será novamente a soja, com o volume histórico de 16,8 milhões de toneladasFoto: Diogo Zanatta / Especial

No ano em que a economia tenta deixar para trás uma das piores recessões da história, a agricultura gaúcha dará sua contribuição com uma supersafra de grãos. A colheita das lavouras de verão deverá alcançar volume recorde de 30,8 milhões de toneladas, gerando resultado econômico direto de R$ 29 bilhões. Divulgada pela Emater na Expodireto-Cotrijal, em Não-Me-Toque, a estimativa para a safra superou até mesmo as projeções mais otimistas. O volume de dinheiro em circulação refere-se apenas ao valor da produção, sem considerar reflexos em indústria, comércio e serviços.

— O efeito multiplicador para a dinâmica da economia é muito positivo. Os números da safra são fascinantes — avalia Tarcísio Minetto, secretário estadual de Desenvolvimento Rural.

Se forem somados os grãos da colheita de inverno, como o trigo, a produção gaúcha passará de 33 milhões de toneladas.

— É o equivalente a pouco mais de três toneladas por habitante no Estado — compara Minetto.

O carro-chefe da supersafra será novamente a soja, com o volume histórico de 16,8 milhões de toneladas — 54% de toda a produção de grãos na temporada.

— Se não tivermos nenhuma intempérie, de agora até o momento da colheita, poderemos chegar a 17 milhões de toneladas — projeta o presidente da Emater, Clair Kuhn.

A supersafra de grãos é atribuída a condições climáticas favoráveis, boa luminosidade e regularidade de chuva, e à profissionalização dos agricultores — que a cada ano aumentam a produtividade das lavouras.

— As pesquisas e a adoção de tecnologia são responsáveis por boa parte desse resultado coroado, obviamente, pelo clima — diz Lino Moura, diretor técnico da Emater.

Com 900 hectares de soja cultivados na região de Não-Me-Toque, o produtor Régis Eliseu Guntzel irá começar a colheita a partir do dia 20. O vigor das lavouras faz com que calcule média de 4,8 mil quilos por hectare — o equivalente a 80 sacas por hectare. No ano passado, alcançou 72 sacas por hectare.

— Tenho agricultura de precisão em 100% da área e também comecei a investir em irrigação — descreve Guntzel, que calcula ganho de pelo menos 30% no rendimento da cultura com o uso de tecnologias na lavoura.

Produtor na região de Não-Me-Toque, Guntzel deve colher 30% mais soja com o investimento em tecnologiaFoto: Diogo Zanatta / Especial

Preço menor neste ciclo reduz lucratividade dos agricultores

Enquanto o rendimento das lavouras não deixa a desejar, o mesmo não ocorre com os preços da soja — cerca de R$ 64 no Estado. A queda na cotação deve se acentuar com a proximidade da colheita.

— Essa é a tendência, até porque em março e abril, historicamente, o preço do produto cai. Nos próximos 60 dias, poderemos ter as piores cotações do ano, abaixo dos R$ 60 — destaca Fernando Muraro, analista de mercado da AgRural.

Quem vendeu a safra no ano passado, de maneira antecipada, deverá se dar bem. Na época, o preço da saca se aproximou de R$ 100.

— Infelizmente, o produtor gaúcho não tem o hábito de vender parte da safra antecipada. Essa é uma lição que o mercado trouxe neste ano: não dá para concentrar as vendas em um período apenas — resume o analista, palestrante do Fórum Nacional da Soja, realizado ontem na Expodireto.

Por: Joana Colussi – de Não-Me-Toque

Fonte : Zero Hora