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Campo e Lavoura – Agro em casa Sustentabilidade se faz na prática

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O caminho da lavoura do amanhã deve ser trilhado hoje. Veja exemplos de situações que contribuem para um futuro sustentável do agronegócio

O futuro do agronegócio está na diversidade. Enxergar as propriedades rurais como organismos vivos onde cada elemento contribui com uma parcela do resultado é o que especialistas defendem como o caminho da lavoura do amanhã. Neste caderno, ZH dá sequência ao projeto Da Terra à Mesa, apresentando os desafios da produção e exemplos de quem tem feito o dever de casa no quesito sustentabilidade. Agricultores que produzem grãos comercialmente e cuidam do ambiente, preservando fauna e flora.

Nas próximas edições, serão abordados os temas Mercado, Mão de Obra e Contribuição da Agricultura. A última publicação resumirá os avanços propostos durante fórum de debates no segundo semestre.

RS produz couro menos poluente

Ele está no sapato, na bolsa e no banco do carro. Apesar do uso crescente em diferentes produtos, o couro tem seu processamento relacionado a agentes poluentes, entre os quais o cromo — químico utilizado no curtimento das peles. Alinhada à tendência mundial de sustentabilidade, a indústria gaúcha está começando a adotar a tecnologia chrome free (livre de cromo), que consiste em processar a matéria-prima sem o uso da substância. A demanda veio de importadores da Suécia que temiam que os móveis fabricados com o couro do Brasil acabassem contaminando o ambiente em seus destinos: as casas de consumidores nos Estados Unidos, Tailândia e Polônia.

Couro mais sustentável, cujo curtimento é livre de cromo, é demanda de países como EUA, Tailândia e PolôniaFoto: Carlos Macedo / Agencia RBS

— A preocupação é com a deposição deste móvel após o uso e seus impactos ambientais. É uma aposta para o futuro — afirma o químico Mateus Leão Enzveiler, gerente geral da Peles Minuano, de Lindolfo Collor, um dos curtumes que aposta nesta tendência de mercado.

Decomposição mais rápida – Entre os benefícios da inovação no processo de curtimento está a decomposição mais rápida. Enquanto as peles processadas com o uso de cromo, em geral, demoram de 200 a 250 anos para se degradar, o couro livre de cromo se decompõe em um período que varia entre 50 e 60 anos.O curtimento chrome free corresponde a 5% da produção total da empresa, que é de 5 mil peles por dia. De acordo com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, o país é um dos cinco maiores produtores de couro, com 45 milhões de peles ao ano, sendo 70% exportado.

Horta doméstica para comer bem

Ter uma horta em casa e o prazer de comer verduras frescas não é exclusividade de quem vive no campo. Em casa ou no apartamento, é possível ter sua própria plantação em um pequeno canteiro, um vaso de flores ou até mesmo aproveitando uma garrafa pet. Quem ensina é o agricultor Elói Schmidt, de Coronel Bicaco. O segredo das hortaliças é escolher boas mudas e respeitar o espaçamento entre elas — no caso da alface, é de 25 a 30 centímetros. Após, basta acrescentar adubo foliar — 3 a 4 ml em 1 litro de água.

O agricultor Elói Schmidt, de Coronel Bicaco, ensina que um dos segredos das hortaliças é escolher boas mudas Foto: André Ávila / Agencia RBS

Mas não dá para esquecer de cuidar do canteiro, que deve ser regado de duas a três vezes ao dia. Se o local escolhido para a horta for muito ensolarado, o produtor sugere usar um sombrite (espécie de tecido sintético vazado) para reduzir a incidência de luz e calor. Entre 30 a 40 dias, o pé de alface estará pronto.Um lugar onde tudo se aproveita Enquanto a preocupação com o lixo nas grandes metrópoles cresce assim como as montanhas de embalagens descartadas, no campo essa consciência já é parte do cotidiano.

Um lugar onde tudo se aproveita

A casquinha do grão de soja vira ração; o dejeto animal, energia para aquecer os galpões. Até mesmo a palha tem uma função essencial na proteção do solo, o chamado plantio direto. Em vez de arar a terra como faziam os antepassados, os agricultores descobriram que cobrindo o solo com a palha que sobrava da lavoura anterior ganhavam proteção extra contra erosão, preservavam os insetos predadores de pragas e a umidade tão necessária em tempos de estiagem.

— A diversidade de culturas e a palha aumentam a atividade biológica. A diversidade de vegetais também. Por isso, o sistema de integração lavoura-pecuária é tão importante e necessário para o controle natural de doenças e pragas. Sem diversidade, caminhamos para o colapso — alerta o consultor Dirceu Gassen.

Peso da vida escolar

Não faz muito que começou o ano escolar e, com ele, sempre vêm os gastos em cadernos, lápis e livros. Mais do que dinheiro, esse é um investimento com custo ambiental, mesmo que o material tenha origem em florestas cultivadas. Para se ter uma ideia, durante a vida escolar, um estudante consome, em média, 96 cadernos de 96 folhas considerando Ensino Fundamental, Médio e Superior. Segundo a Embrapa Florestas, isso representa 75% de um eucalipto. Ou seja, para munir quatro alunos são necessárias três árvores. Outra curiosidade: um pinus produz 10 mil lápis. De acordo com dados da Associação Gaúcha de Empresas Florestais com base em números da Faber-Castell, a empresa produz 1,9 bilhão de unidades/ano, o suficiente para dar seis voltas ao redor da Terra.

Fonte : Zero Hora