Campo Aberto: Venda de defensivos agrícolas pode recuar até 12% neste ano no país

Descapitalização do produtor e redução dos preços das commodities são algumas das razões para que o mercado tenha queda maior do que a estimada no início do ano pela indústria

Depois de fechar 2016 com leve queda de 1%, a indústria de defensivos agrícolas deve encerrar este ano com recuo maior. Dados do Sindiveg só são divulgados após o término do ano, mas estimativas extraoficiais apontam redução entre 10% e 12% na receita do setor. Esse tombo reflete, entre outros fatores, o menor poder de compra do agricultor.

Diogo Zanatta / Especial
Diogo Zanatta / Especial

A desvalorização das commodities fez com que a renda encolhesse e, em razão disso, ele deixa para comprar na última hora, quando está na iminência de utilizar o produto. E, com pouco dinheiro no bolso, também opta, muitas vezes, por reduzir o pacote tecnológico na lavoura.

– Ele não tem dinheiro para tudo, então segura algumas compras, conforme a necessidade – observa Bruno Quadros, da consultoria BQAgro.

Ao deixar para a última hora, fica sem poder de barganha. Há ainda dificuldade de acesso ao crédito oficial, que faz muitos produtores buscarem recursos com a iniciativa privada. O problema, explica Quadros, é que a inadimplência chegou também a revendas e outros estabelecimentos que fornecem empréstimos ao produtor. Isso fez com com que ficassem mais seletivos, restringindo os financiamentos em relação a períodos anteriores.

Com a procura em baixa, o preço do insumo acabou caindo, outra razão para o faturamento das empresas ficar menor neste ano.

– As revendas não estão comprando das multinacionais. Estão atrasando as compras – pontua o consultor. Isso poderá ter como consequência a falta pontual de alguns produtos – o que já está ocorrendo, porque entre o pedido e a entrega costuma haver um intervalo de 10 a 15 dias.

No ano passado, a receita das vendas de agroquímicos no Brasil chegou a US$ 9,56 bilhões, ante US$ 9,6 bilhões em 2015. Em relação a 2014, no entanto, a diminuição chegou a 22%.

No início do ano, quando fez as projeções, o Sindiveg estimava queda de 2% a 3% para 2017. E, entre as razões para esse recuo, apontava fatores como a entrada de produtos ilegais no país, novas tecnologias de controle e o clima. Somam-se a isso elevados estoques de produtos existentes no campo e menor infestação de insetos nas plantações.

Fonte: Zero Hora

30/10/2017 – 07h10minAtualizada em 30/10/2017 – 07h10min

GISELE LOEBLEIN