CAMPO ABERTO – SECA DO VIZINHO IRRIGA NEGÓCIOS NO BRASIL

A falta de chuva sobre a produção argentina de soja tem alimentado a valorização da commodity na Bolsa de Chicago. Por tabela, motiva produtores brasileiros a venderem o grão tanto dos estoques do ciclo passado quanto da safra que está por ser colhida.

Segundo a Safras & Mercado, o preço começou trajetória de alta depois do dia 6 deste mês. De lá para cá, acumula avanço de quase 6% – ontem, contratos com vencimento para maio fecharam a US$ 10,37 o bushel (medida equivalente a 27,21 quilos). Isso teve reflexos nos negócios no Brasil.

– Está mais movimentado, sim. Tanto para a safra passada quanto para a futura. A partir do momento em que a soja bateu a casa dos R$ 77 no porto de Rio Grande, o mercado rendeu bem, recuperou a apatia – afirma Índio Brasil dos Santos, da Solo Corretora.

Ele estima que 25% da nova safra já tenha sido comercializada – ainda assim, abaixo do percentual para o período, que costuma ser na casa de 35%.

Gil Barabach, consultor da Safras & Mercado, reforça que havia muito produtor segurando soja, apostando justamente em eventual efeito do La Niña, e que aproveitou essa puxada no preço para colocar o produto à venda.

A projeção era de que a safra argentina chegasse a 57 milhões de toneladas. Agora, já se fala em redução de até 10 milhões de toneladas. Segundo Santos, a Bolsa de Cereais da Argentina ainda aponta ser possível chegar ao volume de 50 milhões de toneladas:

– Essa indefinição de tamanho da safra argentina acabou elevando os preços do farelo de soja. O mercado reage muito mais na dúvida do que na certeza.

As atenções, agora, começam a se voltar para o comportamento do clima no país vizinho em março. Se a chuva voltar, começa a aliviar o preço.

– O determinante em Chicago ainda é a safra da Argentina. O mercado já precificou fevereiro sem chuva. Se persistir a seca, abre-se espaço para subir mais um pouquinho o preço – completa Barabach.

A recomendação dos especialistas é para que o produtor aproveite esse momento – sem comprometer mais do que 40% da produção. Santos ressalta que não houve em 2017 valores como os de agora para a soja.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora