CAMPO ABERTO | Renda menor encolherá mercado de defensivos

Depois de fechar 2016 com leve queda de 1%, a indústria de defensivos agrícolas deve encerrar este ano com recuo maior. Dados do Sindiveg só são divulgados após o término do ano, mas estimativas extraoficiais apontam redução entre 10% e 12% na receita do setor. Esse tombo reflete, entre outros fatores, o menor poder de compra do agricultor. A desvalorização das commodities fez com que a renda encolhesse e, em razão disso, ele deixa para comprar na última hora, quando está na iminência de utilizar o produto. E, com pouco dinheiro no bolso, também opta, muitas vezes, por reduzir o pacote tecnológico na lavoura.

– Ele não tem dinheiro para tudo, então segura algumas compras, conforme a necessidade – observa Bruno Quadros, da consultoria BQAgro.

Ao deixar para a última hora, fica sem poder de barganha. Há ainda dificuldade de acesso ao crédito oficial, que faz muitos produtores buscarem recursos com a iniciativa privada. O problema, explica Quadros, é que a inadimplência chegou também a revendas e outros estabelecimentos que fornecem empréstimos ao produtor. Isso fez com com que ficassem mais seletivos, restringindo os financiamentos em relação a períodos anteriores.

Com a procura em baixa, o preço do insumo acabou caindo, outra razão para o faturamento das empresas ficar menor neste ano.

– As revendas não estão comprando das multinacionais. Estão atrasando as compras – pontua o consultor.

Isso poderá ter como consequência a falta pontual de alguns produtos – o que já está ocorrendo, porque entre o pedido e a entrega costuma haver um intervalo de 10 a 15 dias.

No ano passado, a receita das vendas de agroquímicos no Brasil chegou a US$ 9,56 bilhões, ante US$ 9,6 bilhões em 2015. Em relação a 2014, no entanto, a diminuição chegou a 22%.

No início do ano, quando fez as projeções, o Sindiveg estimava queda de 2% a 3% para 2017. E, entre as razões para esse recuo, apontava fatores como a entrada de produtos ilegais no país, novas tecnologias de controle e o clima. Somam-se a isso elevados estoques de produtos existentes no campo e menor infestação de insetos nas plantações.

acima de 60

Estimativa feita pela empresa UnitFour revela que, na Região Sul, a maior parte dos trabalhadores rurais tem mais de 60 anos. É o maior percentual (40%) entre as faixas etárias da pesquisa, seguido por pessoas entre 51 e 60 anos (24%) e de 41 a 50 anos (18%). Ou seja, 82% das pessoas que atuam nas ocupações avaliadas têm mais de 41 anos.

– Há um envelhecimento do trabalhador rural, e acho que esse percentual aumentará ainda mais, porque entra um número cada vez menor de jovens na atividade – observa Rafael Albuquerque, diretor de marketing da UnitFour.

Com o aumento do uso de tecnologia na lida campeira, a tendência é de redução no número de pessoas atuando nestas vagas, entende o diretor de marketing. A pesquisa apontou ainda que há predominância de homens em relação às mulheres (veja acima).

O Rio Grande do Sul foi o que teve maior representatividade de profissionais rurais (56%), seguido pelo Paraná (31%) e por Santa Catarina (13%). Os gaúchos também têm a maior concentração de pessoas atuando nessas funções, na comparação com a população total: 8%. Nos outros dois Estados do Sul, o percentual chega a 4%.

no radar

Foi sancionada pelo prefeito Eduardo Bonotto (PP), de São Borja, a doação de uma área de 39,5 hectares que será utilizada para a construção de fábrica de pellets no município da Fronteira Oeste. A empresa Pellets do Brasil Indústria e Comércio Ltda tem agora prazo de três anos para erguer a planta. O investimento será de cerca de R$ 450 milhões.

A capacidade inicial de produção será de 172,8 mil toneladas por ano. A matéria-prima virá inicialmente da Argentina.

A situação de propriedades autuadas e com áreas de produção embargadas na região dos Campos de Cima da Serra estará em discussão hoje, em Vacaria. O assunto será debatido durante fórum de inteligência territorial que ocorre no Centro de Eventos Bortolon, a partir das 9h30min.

Colheita do tabaco com proteção

A roupa especial usada por autoridades, entre as quais o governador José Ivo Sartori, na abertura oficial da colheita do tabaco, em Venâncio Aires (foto), é uma ferramenta de fundamental importância para o produtor. Calça e blusa leves e impermeáveis mais a luva de nitrila são necessárias para proteger os fumicultores da doença da folha verde – que surge quando a pele absorve a nicotina da planta. A roupa dá 98% de proteção, segundo pesquisa.

– Já estamos há alguns anos conscientizando os produtores sobre a importância do uso da vestimenta de colheita – afirma Iro Schünke, presidente do SindiTabaco.

menos cheio

A falta de frio atingiu as vendas de vinho no Brasil. De abril a agosto, os negócios recuaram 0,4% – 600 mil litros a menos. A bebida mais impactada foi o espumante: tombo de 8,51%. O vinho teve queda de 1,33%. O suco de uva, no entanto, fechou com alta de 5,64%. As exportações também cresceram quase 40%. Os números são da produção gaúcha – 90% da nacional.

Uma razão, segundo o gerente de Promoção do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Diego Bertolini, é que, em 2016, o inverno foi rigoroso. Outro ponto é a crise econômica:

– Fica difícil concorrer com os produtos importados, que entram no Brasil praticamente isentos de impostos.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: | Zero Hora