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CAMPO ABERTO – Propostas colocam Mercosul à prova

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As sugestões que vêm sendo apresentadas para resolver o desequilíbrio causado em setores do agronegócio brasileiro por conta da concorrência – considerada desleal – do Mercosul, em tese, não podem ser aplicadas. Essa é a avaliação de Mauro Laviola, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil.

A mais recente é projeto de decreto legislativo protocolado pelos deputados Sergio Souza (PMDB-PR) e Evair Vieira de Melo (PV-ES). O texto propõe a reintrodução da "cobrança de direitos alfandegários na circulação de alguns produtos agropecuários" no âmbito do bloco. Os itens são leite (fluído, em pó e soro de leite), arroz, trigo e maçã.

– O que o Legislativo está fazendo é absolutamente contrário ao Mercosul e não é possível do ponto de vista legal. Não se pode retirar preferências do bloco e nem aplicar salvaguardas – afirma Laviola.

Ele acrescenta que, nos anos 2000, a Argentina tentou, sem sucesso, ações semelhantes.

Assessor de Souza, Luciano Carvalho não concorda. Para ele, a medida não "detona o Mercosul".

– Estamos trabalhando com quatro produtos sensíveis, assim como a Argentina fez com o nosso açúcar. É uma medida de defesa comercial sensata – defende.

Souza é deputado pelo Paraná, segundo maior produtor de leite do país, e montou o projeto com base nas mesmas razões apresentadas por entidades gaúchas: a crise causada no setor, que viu os preços do produto despencarem neste ano.

– Li as justificativas do decreto e dentro do regulamento do Mercosul diz que deve haver simetria entre produtos negociados – reforça Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados.

Ontem, o deputado Heitor Schuch (PSB-RS) protocolou no Parlamento do Mercosul documento de entidades sobre o tema. Ele lamentou a baixa participação do Brasil no órgão:

– De 30 proposições na pauta, tinha apenas uma brasileira. O governo brasileiro também está dando muito pouco valor. Aprovam aqui o que interessa para eles.

A crise também pautou reunião de entidades, parlamentares e representantes de ministérios ontem em Brasília.

Sede de China

É com objetivo de ganhar espaço no mercado de suco de uva que seis vinícolas do Rio Grande do Sul chegam hoje à ProWine China, feira que vai até quinta-feira em Xangai. Aurora, Miolo Wine Group, Mioranza, Peterlongo, Salton e Vinhos Canção participam do evento por meio do projeto Wines of Brazil e Grape Juice From Brazil. Segundo Diego Bertolini, gerente de promoção de marketing do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), o país asiático, ao lado de Japão e Estados Unidos, é um dos três destinos-alvos para as exportações da bebida:

– O suco de uva do Brasil é integral, diferentemente do americano, outro player, que é, na maioria, concentrado. Queremos focar neste nicho de mercado (China), que tem um consumidor disposto a pagar mais.

De novembro de 2016 a setembro deste ano, as exportações de produtos vinícolas brasileiros para lá somaram US$ 403 mil e 128,5 mil litros, alta de 38% e 132%. O gerente de marketing do Ibravin completa que a China foi o país em que os embarques mais cresceram percentualmente no último ano:

– Avançamos em volume e valor.

O interesse nos consumidores do país asiático é tanto que a Miolo, por exemplo, tem seis lojas em cidades chinesas. São três em Xangai, uma em Cantão, uma em Sanya e outra em Haikou, com vinho como carro-chefe.

no radar

O Índice de Confiança do Agronegócio melhorou, mas ainda não chegou ao patamar de 2016. O indicador, medido por Fiesp e OCB, cresceu 6,7 pontos no terceiro trimestre, na comparação com o segundo, somando 99,1 pontos. Pelo estudo, média cima de cem aponta otimismo. Menos disso, baixo grau de confiança.

Na trilha do agronegócio

Depois de passar por 20 municípios do Estado e percorrer 6,3 mil quilômetros, o projeto especial Campo e Lavoura da Terra à Mesa termina hoje com o evento O Futuro do Agronegócio, que ocorre na PUCRS. Foram cinco cadernos, com as temáticas tecnologia, mercado, sustentabilidade, mão de obra e contribuições do setor à sociedade.

Participam do debate Paulo Roberto Martinho, da Embrapa Monitoramento por Satélite, Rafael Vieira de Sousa, da USP, Roberto Sant?Anna, da Andef, e os produtores Caio Nemitz e Carlos Scheibe.

posto avançado no exterior

Dois auditores fiscais federais agropecuários do Estado estão entre os nomeados pelo governo federal para assumir o cargo de adido agrícola no Exterior. Priscila Moser, que era coordenadora do Laboratório Nacional de Agropecuária no Estado, assumirá na vizinha Argentina. Tiago Charão de Oliveira, chefe da divisão técnica laboratorial, será enviado ao Vietnã. As nomeações do governo incluem ainda representantes para Tailândia, Índia, Arábia Saudita, Coreia do Sul e México. O mandato é de dois anos, podendo ser renovado por mais dois anos. No total, o ministério tem 15 adidos agrícolas.

– Até 2019, o Brasil deverá ter mais 10, somando 25 adidos, que atuarão em mais de 41 países e blocos econômicos – afirmou Odilson Ribeiro e Silva, secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do ministério.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora