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CAMPO ABERTO – PROPOSTA DE DESCONTO EMBUTIDA NO PL DO FUNRURAL

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O projeto de lei que traz as condições de negociação para o pagamento dos débitos do Funrural e que estava previsto ontem na pauta de votação da Câmara dos Deputados contemplará outras solicitações feitas pelo setor. O PSB negociou, por exemplo, apresentação de emenda em plenário para a concessão de descontos a produtores adimplentes no crédito fundiário.

– Esse PL é muito mais abrangente do que o Funrural. Tornamos a lei mais eclética – garante o deputado Zé Silva (SD-MG), ao se referir a solicitações que deverão ser incluídas no projeto.

O texto da emenda do PSB está pronto: prevê que "para as operações adimplentes até 31 de julho de 2017, aplicam-se um bônus fixo de desconto de 85% para a liquidação da operação, de dívidas contraídas no âmbito do Fundo de Terras e Reforma Agrária". Segundo o deputado Heitor Schuch (PSB-RS), foi construída a quatro mãos, a partir de sugestões feitas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS).

O parlamentar e a bancada vinham mostrando contrariedade com o PL do Funrural em razão do desconforto trazido pela renúncia fiscal, estimada em mais de R$ 17 bilhões. Ontem, no entanto, o parlamentar fez uma ressalva.

– Diante da medida provisória do Repetro (renúncia fiscal na indústria petrolífera) virou coisa tão pequena, que a gente fica até meio assim de votar contra – admite Schuch.

Diante da atenção dada a reivindicações feitas, o PT também passou a ouvir com atenção a proposta do PL – recomendou votação a favor do regime de urgência na semana passada. Segundo Zé Silva, até ontem, apenas o PSOL havia confirmado que faria obstrução na votação.

A confiança era de que, com as costuras feitas, a proposta recebesse aprovação da Câmara. Está claro que o Planalto não quer deixar esse assunto para depois.

A falta de frio no inverno gaúcho cobrará seu preço sobre o pêssego. Com produção menor, a fruta ficará, ou melhor, já ficou, mais cara para o consumidor. A redução na colheita é estimada em mais de 25%. E o valor pago, no varejo, teve aumento de 66% em relação a igual período do ano passado, passando de cera de R$ 3 para R$ 5 o quilo na Serra.

Dados da Emater apontam que serão colhidas 46,75 mil toneladas na região, ante mais de 58 mil toneladas na safra passada. Culpa das temperaturas, que não foram tão baixas como deveriam. Isso fez com que as frutas se desenvolvessem menos.

– As plantas tiveram brotação desuniforme, gerando frutos de menor calibre e quantidade considerável de descarte de frutas por apresentarem caroço aberto, devido à friagem na florada – explica Ênio Todeschini, agrônomo da Emater.

Em Pinto Bandeira, maior produtor de pêssegos de mesa do Brasil, a produção será até 40% menor.

Apesar de reduzida, a safra de pêssego será de excelente qualidade, segundo Todeschini. A diferença de temperatura entre o dia e a noite na época da colheita – gradiente térmico – melhorou a qualidade, a cor e o sabor. PESO À SAFRA

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora