CAMPO ABERTO – OBRA DE BARRAGEM COM NOVO PRAZO DE VALIDADE

Não é a primeira, mas espera-se que seja a última vez que o governo do Estado assine ordem de serviço para início da segunda etapa da barragem de Jaguari, que abrange os municípios de São Gabriel, Lavras do Sul e Rosário do Sul. Ontem, o governador José Ivo Sartori formalizou a retomada. Mas os percalços e os prazos desde a assinatura do convênio, em 2007, ainda no governo da tucana Yeda Crusius, foram tantos que só mesmo quando estiver concluída a obra será possível acreditar que se tornou real.

O custo total da estrutura é estimado em R$ 130 milhões – 99% dos recursos provêm do governo federal e 1%, do estadual. Nesta segunda fase, serão R$ 56 milhões.

Em 2015, o governo Sartori já havia assinado a ordem de serviço. Mas problemas na licitação da empresa a ser contratada para realizar a supervisão trancaram o processo.

Segundo o secretário da Agricultura, Ernani Polo, existem R$ 12 milhões já depositados. O restante deve ser liberado à medida que a execução andar. Não faltando dinheiro, a obra deve ficar pronta em um ano.

A empresa encarregada será a Sultepa, a mesma responsável pela primeira parte da barragem. Aguardada com ansiedade na região, Jaguari terá duplo propósito: água para abastecimento e para uso na irrigação.

O clamor pela retomada das obras – há ainda a de Taquarembó, também parada – certamente só não foi maior porque o Rio Grande do Sul vem colhendo tempo bom no período de safra há cinco anos.

– Quando tem enchente, é complicado falar no assunto. Mas agora começou um período mais seco na região e o pessoal lembra das barragens – afirmou Edson Silva, presidente da Associação dos Usuários da Água da Bacia Hidrográfica do Rio Santa Maria.

Secretária do Ambiente, Ana Pellini recordou que era presidente da Fepam quando saiu a primeira licença – que acabou sendo alvo de questionamento:

– A obra é tumultuada desde o início.

As esperanças de ver a barragem concluída ganham novo prazo de validade. Se dessa vez a obra andar mesmo, agricultores terão de esperar ainda por outra fase: a de instalação dos canais de irrigação.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora