.........

CAMPO ABERTO – O tamanho da nova safra de verão do rs

.........

A produção de grãos do Estado deverá ficar um pouco menor na próxima safra de verão. As primeiras estimativas do ciclo 2017/2018 serão apresentadas hoje pela Emater na 40ª Expointer, em Esteio. Pelo menos duas culturas podem ter área revisada para baixo. Uma delas é o arroz. O excesso de oferta e a queda nos preços fizeram com que a própria Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz) orientasse os agricultores a limitarem o espaço do cereal. Alexandre Velho, vice-presidente da entidade, estima que a área fique até 10% menor – no máximo, 1 milhão de hectares.

– É preciso adequar a oferta ao mercado, caso contrário, o setor arrozeiro terá dificuldade enorme – acrescenta Anderson Belloli, também dirigente da Federarroz.

O primeiro levantamento feito pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) apontou recuo de apenas 2,5%. Mas o presidente da instituição, Guinter Frantz, projeta que a diminuição possa ficar em torno de 5% ou mais:

– Vai haver redução pela dificuldade de acesso ao crédito do produtor. Muitos devem fazer manejo pouco técnico.

Sem adiantar os números de hoje, o presidente da Emater, Clair Kuhn, concorda que a desvalorização dos grãos impacta na produção.

– Há menor liquidez nesta safra e tem muito produto guardado no armazém. Se continuar assim, terá reflexo na área e no pacote tecnológico a ser utilizado nas lavouras – diz Kuhn.

A solução para tentar fazer o preço reagir é mirar o mercado externo – Irã, Iraque, Turquia, Nigéria e China são considerados estratégicos pelo segmento.

O milho é outra cultura que poderá ficar com área menor. Depois de um 2015 com preços acima do padrão, o produtor voltou a apostar no grão em 2016. Mas a desvalorização neste ano promete repercutir na tomada de decisão – o plantio já começou no Estado.

Descomplicando a vida

O pavilhão da agricultura familiar na Expointer caiu faz tempo nas graças do público. Mas os visitantes nem imaginam os obstáculos que muitas agroindústrias precisam superar. É graças a decreto estadual que muitas estão aptas a vender na exposição. A legislação não permite que a comercialização fora da cidade de origem quando a vistoria é feita pelo serviço de inspeção municipal.

Na briga por modificações nas leis, capazes de colocar um ponto final na burocracia que leva à informalidade, a subcomissão das agroindústrias familiares da Assembleia esteve reunida ontem na Expointer. Hoje, das 3 mil agroindústrias cadastradas, só 1.089 estão legalizadas.

– Não há lógica poder vender no município e não fora dele, ou então ter decreto para ir à Expointer – argumenta o deputado Elton Weber (PSB), coordenador da subcomissão.

A meta é, até novembro, apresentar sugestões de alteração, depois de reuniões no Interior. Outro ponto questionado é o de que as exigências são as mesmas para quem processa 30 quilos ou três toneladas de produto, assim como de estrutura física.

no radar

O ESPAÇO destinado à Emater na Expointer poderá ganhar vida o ano inteiro. A entidade tenta parceria para obter recursos e transformar o 1,4 hectare em propriedade-modelo, destinada ao turismo rural.

R$ 544,5

mil

foi o total da comercialização no primeiro fim de semana de atividades no Pavilhão da Agricultura Familiar, na 40ª Expointer. O valor é 14,8% superior ao faturamento obtido no mesmo período do ano passado.

Carnivorismo

Se o consumo de carne bovina em geral está em queda, o de gourmet, vai muito bem. As associações de raça que trabalham com programas de carne certificadas são unânimes : a demanda é crescente e falta produto. O tema pautou o Campo em Debate, realizado ontem por ZH na Casa RBS.

– As pessoas reduzem o número de vezes que consomem carne, para poder comer uma de excelência. O consumidor encontra segurança, e esse produto de qualidade independe da faixa de renda – afirma Fábio Medeiros, gerente do programa Carne Angus Certificada.

Betty Cirne Lima, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Devon ressalta que a produção da carne premium não é suficiente para atender à procura por produto selecionado:

– O público encontra segurança alimentar e qualidade.

A associação lançou o selo de carne certificada, com aval do Ministério da Agricultura, neste ano.

Fernando Lopa, CEO da Associação Brasileira de Hereford e Braford, que tem o mais antigo programa de carne certificada, avaliou que uma das estratégias é fortalecer a marca e entregar produto diferenciado:

– Aumentar a adesão das indústrias aos protocolos de certificação é nosso maior desafio. Ainda são resistentes. Não têm entendimento do quanto podem ganhar com esse novo nicho.

Medeiros ressaltou que é hora de ostentar o orgulho em consumir carne, incentivando os festivais de churrasco. É o carnivorismo assumido, brincou ele.

Negócios acelerados

Na contramão da crise, a LS Tractor, que passou a produzir tratores de pequeno e médio porte há quatro anos no Brasil, mostra resultados positivos e aposta em inovação para expandir no mercado brasileiro. A empresa sul-coreana cresceu 81% no primeiro semestre na comparação com mesmo período de 2016. Para o gerente nacional de vendas, Ronaldo Pereira, um dos fatores determinantes foi a redução de um ponto percentual no juro.

– Somos novos no mercado brasileiro, comparado às empresas tradicionais. Apostamos em tecnologia e caracteríticas voltadas principalmente ao pequeno e médio produtor – completou.

Os Estados do Sul e São Paulo são considerados os mercados mais importantes. Só o Rio Grande do Sul representa 25% dos negócios no país. Na 40ª Expointer, a fabricante projeta aumentar em 30% os negócios. Para o ano, aposta em avanço de até 90%.

gisele.loeblein@zerohora.com.br zerohora.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora