CAMPO ABERTO – O CADE E AS RESSALVAS NA COMPRA DA MONSANTO

A decisão final do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a validade da compra da Monsanto pela Bayer ainda está por sair. Mas parecer da superintendência-geral do órgão publicado ontem acendeu o sinal de de alerta. A aprovação poderá vir com a recomendação de que sejam vendidos alguns dos ativos para o negócio ser concretizado.

O documento aponta que a operação "gera concentração horizontal significativa, especialmente nos mercados de sementes de soja e algodão transgênicos (biotecnologia)".

E é aí que entra a soja transgênica da questão. Durante anos, a Monsanto reinou sozinha no mercado de biotecnologia brasileira com a Roundup Ready (RR). E seguiu no controle com a segunda geração do grão geneticamente modificado, a Intacta RR2 Pro. Mas, em 2016, a mesma Bayer que agora adquiriu a gigante americana lançou comercialmente a Liberty Link, sua variedade transgênica.

O que antes era opção, agora viraria uma coisa só. Além disso, ambas empresas têm venda de herbicidas associada a esses produtos – o glifosato, na companhia dos Estados Unidos, e o glufosinato de amônia na alemã.

Preocupada com esse cenário de concentração, a Associação dos Produtores de Soja do Brasil, (Aprosoja) ao lado de outras duas entidades (Associação Brasileira de Sementes de Soja e a de Produtores de Algodão), entrou como terceiro interessado no processo no Cade.

– As empresas têm biotecnologia, defensivos. Toda essa tecnologia estaria com eles. Não teríamos outra opção – pondera a Marcos Rosa, presidente da Aprosoja.

A Bayer afirmou que a nota técnica do Cade "não significa reprovação da operação" e que "é um passo normal dentro do processo".

O caso segue agora para análise do tribunal do órgão, que baterá o martelo sobre o caso.

A compra da Monsanto foi anunciada no ano passado em um negócio de US$ 66 bilhões. Sua aprovação também é submetida a órgãos dos EUA e da Europa.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora