.........

CAMPO ABERTO – NOVO APELO PARA O MESMO SANTO

.........

Diz o ditado que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Mas no caso da crise no leite, talvez seja preciso mais do que endurecer o discurso para se chegar a algum lugar. Comitiva do Rio Grande do Sul volta a Brasília para, mais uma vez, pedir o auxílio do Planalto na solução do problema. Não há novidades na pauta. A aquisição de 50 mil toneladas de leite em pó e de 400 milhões de litros UHT, a imposição de cotas ao Uruguai e a liberação de linha de crédito aos produtores estava na lista de pedidos feitos há um mês, em reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

No encontro de hoje, com o ministro Osmar Terra, o rosário será o mesmo. Resta saber se o santo vai atender ao pedido.

Da última reunião para essa, o cenário de preços que era ruim, "só piorou", afirma o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS), Alexandre Guerra:

– Os produtos perderam força no mercado. Houve redução de preços, de 4% a 6%. A oferta continua maior do que a demanda.

Dados do Conseleite confirmam essa deterioração. No preço do litro de leite tipo padrão pago ao produtor, o recuo entre o valor projetado para setembro e o consolidado para agosto foi de 4,4%. E embora o Estado esteja saindo agora do período de safra, ainda deve levar um tempo até os preços se acomodarem. É por isso que as entidades insistem na necessidade de intervenção do governo para enxugar a oferta.

– Esses extremos de preços são ruins para produtor e consumidor – completa Guerra.

Vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), Nestor Bonfanti avalia que a saída para a crise é questão de atitude do governo:

– Se é uma política interessante, porque não coloca recursos? Para carros, há incentivos.

Há ainda a suspeita de triangulação feita pelo Uruguai – mas esse é um ponto mais delicado, que exige tempo maior de resposta. De qualquer forma, todos os caminhos le vam a Brasília.

– Temos de continuar indo, porque a solução está lá – afirma o deputado Zé Nunes (PT), que coordena grupo de trabalho sobre o tema na Assembleia Legislativa.

Em ano de crise, é preciso ajustar o foco para vender bem. Lição que será seguida à risca nos seis remates que fazem parte da programação da 84ª Farm Show, exposição agropecuária de Dom Pedrito, que vai de 16 a 30 deste mês. No total, serão ofertados 420 touros e 500 ventres.

– Nossa expectativa é de, pelo menos, manter a média do ano passado – projeta Luiz Augusto Gonçalves de Gonçalves, presidente do sindicato rural.

Francisco Schardong, presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), entende que, no atual cenário, as vendas têm sido acima do esperado, embora inferiores às do ano passado.

Com os preços do boi gordo em baixa, reflexo de um mercado que teve turbulências como a Operação Carne Fraca e as delações da JBS, os pecuaristas estão centrando forças em itens diferenciados. Como a avaliação genômica de resistência a carrapato. Bernardo Potter, da Caty (que realiza leilão ao lado da Guatambu e da Alvorada), explica que há três anos é oferecida avaliação deste tipo:

– Em ano de margens apertadas, o produtor pensa muito na hora de investir em genética. Aposta naquilo que é certo.

A Wolf Genética (que faz evento em parceria com a Pitangueira) também trabalha com o projeto de avaliação genômica, que já mapeou mais de 5 mil animais em um programa que inclui 16 propriedades.

Completam a programação da exposição, os remates da Rincão da Figura, da Quiri, da Santa Thereza e da Fazenda da Barragem com Don Angélico. FOCO NO DIFERENCIAL

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora