CAMPO ABERTO – MEIO BILHÃO PARA FECHAR

Protocolado em regime de urgência, projeto de lei do Executivo para extinguir a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) deverá ser avaliado somente no próximo ano. Diante da complexidade dos assuntos em pauta na Assembleia Legislativa, o governo desistiu da pressa, retirando o artigo que determinava a votação em 30 dias. O fato é que, depois de infrutíferas tentativas de venda de unidades, a decisão de fechar as portas da companhia está consolidada no Piratini. Apresentado sem alarde no fim de novembro, o texto prevê extinção por meio da liquidação.

O governo Sartori nunca escondeu a intenção de se desfazer da Cesa, mas a ação segue sendo alvo de controvérsia. O Sindicato dos Auxiliares de Administração de Armazéns Gerais no Estado do Estado (Sagers) alerta que o governo gastará cerca de meio bilhão de reais para desativar a companhia. A conta inclui rescisões – de funcionários, safristas e emergenciais -, dívida com a Fundação Silius, acordos trabalhistas, ações em andamento e encargos tributários e fiscais. Como o patrimônio líquido é negativo (R$ 274,77 milhões, segundo balanço de 2016), mesmo vendendo tudo, não paga a conta. Isso implicará em custo mensal aos cofres públicos, estimado pelo sindicato em R$ 2 milhões.

– E sem receita – alerta Lourival Pereira, presidente do Sagers.

Ele faz outra ressalva: o acordo para o pagamento de ação do piso salarial previa desconto de 60%. Mas as parcelas não estão sendo pagas pelo Estado, o que poderá levar à retomada do valor original.

Sobre a extinção, o secretário de Agricultura, Ernani Polo, afirma:

– Terá um custo? Sim, mas pelo menos estanca a sangria.

Hoje, o aporte do Estado para a Cesa é R$ 2,55 milhões por mês.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora