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CAMPO ABERTO | Leandro Becker INDICADOR PRODUTIVO E POLÍTICO PARA O ARROZ

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Selada ontem, a parceria que rebatizou e garantiu a continuidade do reconhecido indicador de preços do arroz medido pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) serve não só como bússola aos negócios, mas como ferramenta de pressão política.

Bancado pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul), por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS) – o valor investido não foi divulgado pela entidade–, o agora Indicador do Arroz em Casca Esalq/Senar-RS será um dos trunfos na tentativa de aumentar o preço mínimo, de R$ 29,68, definido com base em tabelas de custos de produção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que vêm sendo contestadas pelo setor.

Ontem, na sede da Farsul, o tom foi de críticas à companhia e insinuações sobre interferência política na definição do valor.

Presidente da Farsul, Carlos Sperotto disse que o indicador não deve ser “ferramenta para briga”, mas ressaltou que há necessidade de uma pesquisa isenta e confiável para balizar, respaldar e orientar o setor. A posição foi endossada pelo presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Henrique Dornelles.

Economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz explica que o preço mínimo impacta não só nas vendas do produto, mas em questões como por exemplo, o acesso ao crédito:

– Seria um risco e um retrocesso não ter mais este indicador, pois ele mostra a realidade do setor ao governo, quando ele quer ver. E ajuda a manter no horizonte a possibilidade de virem a ser firmados contratos futuros no arroz.

Representante do Cepea, Lucilio Alves explicou que o indicador seguirá a mesma metodologia dos últimos 10 anos e estará imune a qualquer interferência externa.

Sperotto ainda confirmou que a parceria recém-firmada com o Cepea abre caminho para a criação de um indicador semelhante para a produção de trigo. Segundo Luz, os padrões estão sendo definidos, e a meta é instituí-lo em 2016.

FATIADA, MAS NÃO EXTINTA
 
Apresentada ontem como um dos projetos para conter a crise, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que tira a necessidade de plebiscito para extinção da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) é uma forma de, em um primeiro momento, permitir fatiá-la e vender com maior agilidade unidades inativas e deficitárias. É o que diz o diretor-presidente, Carlos Kercher:

– A intenção não é extinguir, mas enxugar. Estamos trabalhando intensamente para reduzir o prejuízo. Analisamos as 22 unidades e já está decidido que serão vendiads as quatro inativas. Depois, a ideia é buscar parceiros para aluguel ou venda das que não são mais viáveis. Queremos manter aquelas em que temos bons resultados.

Kercher explica que a aprovação da PEC na Assembleia é o primeiro passo desse processo. Ele afirma, ainda, que já entregou ao governo um mapeamento sobre as unidades que não interessam mais, mas não revelou quais são.

Presidente da Cesa de abril de 2013 até o fim do ano passado, Márcio Pilger pondera que uma eventual extinção ou venda da companhia não isenta o Estado de arcar com dívidas fiscais e trabalhistas, além do pagamento a funcionários ex-autárquicos. Para ele, a Cesa deveria se reestruturar e aproveitar as unidades como pontos estratégicos para melhorar a logística de escoamento da produção.

Para Kercher, uma remodelação no foco da empresa, com adaptação das unidades, é inviável hoje porque não há dinheiro para fazer investimentos:

– A venda futura de algumas unidades pode acontecer, mas se buscará garantir que o produtor continue armazenando o seu produto nessas unidades, sejam elas da Cesa ou de outro proprietário.

Hoje, segundo Kercher, a empresa tem um passivo superior a R$ 500 milhões. A companhia fechou o ano passado com um prejuízo de R$ 25,32 milhões ante R$ 62,67 milhões no ano anterior.

ORDENHA COMANDADA POR ROBÔ
 
Começou a funcionar em Paraí, na Serra, o primeiro robô de ordenha do Estado. O sistema foi instalado na propriedade de Pedro Nólio, associado da Cooperativa Santa Clara. Importada da Holanda, a máquina faz todo o processo e atende em torno de 70 vacas em lactação.

Cada animal usa uma coleira com sensor (detalhe), responsável por identificá-las. A máquina lê o sensor e libera o acesso da vaca à alimentação, além de fazer a ordenha de acordo com uma pré-programação. Por meio de uma câmera, a máquina ainda localiza posição do úbere, para garantir o posicionamento correto para higienizar e retirar o leite.

Após a ordenha, o sistema avalia a qualidade e, se houver alteração, o próprio equipamento libera o animal para um local separado dos demais, para receber tratamento. Nestes casos, o leite não é enviado para o resfriador, mas destinado a um recipiente separado.

Além de praticidade, a promessa da ordenha robotizada é garantir mais eficiência. Segundo a Santa Clara, o investimento no aparelho e na adaptação da propriedade foi de aproximadamente R$ 1 milhão.

 

As vendas de máquinas agrícolas seguem despencando. Em julho, comparado ao mesmo mês do ano passado, a queda foi de

37,5%

nos negócios, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado foi 9,1% menor do que o de junho.

AGROTÓXICOS EM PAUTA
Os efeitos da utilização de agrotóxicos na agricultura serão o tema principal de seminário que será realizado a partir das 9h de hoje no Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participará do encontro. A programação prevê o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Alimentação Saudável, apresentação de estudos e a discussão de medidas com foco em pesquisas e ações para proteger a saúde de produtores e consumidores.

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A falta de infraestrutura em ferrovias, portos e hidrovias será tema de reunião às 9h de hoje na sede da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), na Capital. Serão tratados temas como investimentos necessários e o traçado da ferrovia Norte-Sul.

Fonte : Zero Hora