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CAMPO ABERTO | Joana Colussi POUCA EXPECTATIVA NO PLANO SAFRA FAMILIAR

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    Sem um porta-voz com peso político no governo de Michel Temer, a agricultura familiar tem poucas expectativas para o Plano Safra, que será anunciado hoje no Palácio do Planalto, em Brasília. Embora tenha pedido juro menor para o crédito agrícola, a exemplo da agricultura empresarial, quase não há esperança de que as taxas sejam reduzidas. O volume de recursos também deve ser mantido, de R$ 30 bilhões.
    – Não temos um Blairo Maggi nos representando – diz Antoninho Rovaris, secretário de Política Agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), referindo-se à ausência de um ministro voltado ao setor.
    Desde a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, as decisões envolvendo a agricultura familiar passaram a ser subordinadas à Casa Civil. Rovaris conta que o setor chegou a sentar com o governo para tentar negociar juro menor, diante das quedas da inflação e da taxa Selic nos últimos meses:
    – Mas com os acontecimentos recentes não teve mais clima para negociar nada.
    O juro do crédito para a agricultura familiar hoje varia de 2,5% a 5,5% ao ano, incluindo custeio, comercialização e investimento. O pedido das centrais sindicais é de uma redução de pelo menos um ponto percentual – o mesmo que será concedido à agricultura empresarial.
    – Quando você não tem um ministério, a discussão já começa num patamar inferior. A agricultura familiar é o patinho feio desse governo – afirma o deputado federal Heitor Schuch (PSB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar.
    A esperança para o novo plano é de que o governo amplie o teto do crédito fundiário de R$ 80 mil para pelo menos R$ 150 mil e de 20 para 30 anos o prazo de pagamento. Somente no Estado, mais de 500 propostas estão paradas aguardando o aumento de valor – considerado muito baixo diante do preço da terra.
    – Um anúncio positivo amenizaria a impopularidade do presidente neste momento de clima muito ruim – diz Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag).

  • DNA PRÓPRIO

    Em tempos de desconfiança em relação aos alimentos no país, por conta de operações como Carne Fraca e Leite Compen$ado, uma indústria gaúcha decidiu mostrar aos consumidores a qualidade de seus produtos por meio de um código de rastreabilidade. As embalagens de leite UHT da Cooperativa Languiru, de Teutônia, passarão a ter um QR Code único – contendo informações de cada litro da bebida e do processo de industrialização e distribuição.
    – É como se cada caixinha de leite tivesse seu DNA próprio – resume Dirceu Bayer, presidente da cooperativa.
    Aproximando o celular do código, o consumidor será direcionado a um site onde poderá conferir a ficha técnica do produto, testes de qualidade nutricional e o caminho percorrido até chegar nos pontos de venda. Lançada ontem, a solução digital foi desenvolvida durante 14 meses pela SIG Brasil.
    – Queremos reforçar a qualidade de nossos produtos em um momento de crise de confiança dos consumidores – completa Bayer.
    A cooperativa estima que as novas embalagens cheguem ao mercado em no máximo um mês, em um processo gradual de abastecimento do mercado.

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    ENQUANTO A JBS ESTÁ NO MEIO DO FURACÃO DA CRISE POLÍTICA BRASILEIRA, A CONCORRENTE BRF INAUGUROU ONTEM SUA PRIMEIRA FÁBRICA DE PROTEÍNA HIDROLISADA ANIMAL, EM CONCÓRDIA (SC). NO MESMO DIA, ANUNCIOU A MODERNIZAÇÃO DA FÁBRICA DE PRESUNTO COZIDO NO COMPLEXO INDUSTRIAL DO MUNICÍPIO CATARINENSE. JUNTOS, OS INVESTIMENTOS SOMAM R$ 65 MILHÕES.

  • TECNOLOGIA DIGITAL TROPICALIZADA

    Gigante da biotecnologia agrícola, a Monsanto parte agora com tudo para o mercado de agricultura digital. Ontem, a multinacional lançou comercialmente a plataforma Climate Fieldview. O mecanismo permite a leitura de dados coletados na propriedade em tempo real.
    Para chegar ao mercado brasileiro, a empresa realizou testes em todo o país durante dois anos. Na última safra de verão, 115 agricultores puderam testar a novidade, dois deles no Estado. Mateus Barros, líder para a América do Sul da Climate Corporation, braço de agricultura digital da Monsanto, explica que a tecnologia teve de ser tropicalizada para atender às demandas dos produtores brasileiros:
    – O dispositivo precisou ser modificado para o cenário do país, que tem baixa conectividade. Ele opera off-line, jogando os dados para a nuvem quando houver sinal.
    Na última fase de testes, 400 mil hectares foram cobertos com a tecnologia, que mapeou 1 milhão de hectares. O produto custará R$ 15 por hectare, em licença anual, além do valor do drive, de R$ 980. É necessário um iPad para a leitura dos dados.

  • NO RADAR

    A SAFRA de uva 2017 será conhecida hoje, em cerimônia no Palácio Piratini. Neste ano, os produtores foram beneficiados pelo clima, após amargar forte quebra no ciclo anterior. Os números superam as projeções iniciais, entre 600 milhões e 700 milhões de quilos, segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

  • FEIRA NO MATOPIBA TESTA PESO DA CRISE

    Principal feira agrícola do Matopiba, considerada a última fronteira em grande escala no Brasil, a Bahia Farm Show 2017 servirá como termômetro de como a crise política impactará no agronegócio. Iniciada ontem, em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, a mostra conta com mais de 200 expositores e 600 marcas.
    Até há duas semanas, antes do escândalo da delação premiada da JBS, o mercado de máquinas agrícolas vinha se recuperando. Desde então, com a instabilidade instaurada no país, os negócios praticamente pararam.
    – É como jogar um balde de água fria na fervura – lamenta Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Estado (Simers).
    Até sábado, são esperados mais de 60 mil visitantes e cerca de R$ 1 bilhão em negócios.

  • VACINAÇÃO DA AFTOSA É PRORROGADA

    A campanha de vacinação de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa no Rio Grande do Sul, que terminaria hoje, foi prorrogada até o dia 16 de junho – por conta do alto volume de chuva registrado em maio. O pedido, feito pela Secretaria Estadual da Agricultura ainda na semana passada, foi confirmado ontem pelo Ministério da Agricultura.
    – O deslocamento de pecuaristas para compra das vacinas foi prejudicado pelas condições do tempo, choveu quase 500 milímetros em algumas regiões – diz Grazziane Rigon, veterinária do programa de prevenção à febre aftosa da Secretaria Agricultura.

    Fonte : Zero Hora