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CAMPO ABERTO | Joana Colussi ENTIDADES BUSCAM POSIÇÃO ÚNICA SOBRE FUNRURAL

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    Em terrenos opostos no campo da cobrança do Funrural (percentual recolhido sobre a comercialização), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e as federações estaduais se reúnem amanhã, em Brasília. Para tentar desbancar a posição da entidade nacional em defesa do tributo destinado à assistência do trabalhador rural, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) elaborou estudo mostrando que a contribuição sobre a venda da produção representa 49,9% a mais do que pela folha de pagamento da mão de obra contratada pelos produtores.
    – Esse levantamento se contrapõe ao que a CNA vem defendendo. Já sabemos que a contribuição voltará a ser cobrada, o que precisamos buscar agora é a melhor forma de pagá-la – diz Gedeão Pereira, vice-presidente da Farsul.
    Pela simulação elaborada pela assessoria econômica da entidade, o montante a ser pago considerando o percentual de 2,1% sobre o valor faturado nas culturas de arroz, milho, soja, trigo, pecuária de corte e leite no país chegaria a R$ 6,97 bilhões neste ano. Já o valor sobre 23% da folha de pagamento (20% para previdência e mais 3% para riscos ambientais do trabalho) ficaria em R$ 4,65 bilhões. A entidade argumenta que a agricultura é uma atividade intensiva em capital e não mais em mão de obra, por isso não faz sentido contribuir sobre a receita bruta da venda.
    Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar constitucional a cobrança do Funrural, no final de março, a apreensão passou a pairar sobre o campo. Sem saber ao certo o alcance da decisão, entidades de classe estão mobilizadas para tentar evitar a cobrança retroativa. Como muitos deixaram de pagar o tributo após liminar obtida em 2010, acumularam passivo grande a ser desembolsado. Cerca de 15 mil processos estão na Justiça.
    – Se a cobrança for retroativa, irá provocar um desastre no agronegócio brasileiro – teme Pereira.

  • LUZES PARA A VENDA

    Com o preço da soja no mercado interno ainda pouco atrativo para a venda, a orientação de analistas é que o produtor segure o que for possível da safra que está sendo colhida agora e espere melhor oportunidade para fechar negócios.
    – Fatores climáticos nos Estados Unidos ou elevação do câmbio no Brasil poderão fazer o preço reagir. É preciso ficar atento a essas janelas de altas, que deverão ser raras nos próximos meses – recomenda Carlos Cogo, consultor em agronegócios.
    Historicamente, os meses de março e abril são desfavoráveis para a comercialização da soja brasileira, por conta da maior oferta e também pelos altos custos de logística – transporte e armazenagem.
    – É preciso ter sangue frio neste momento. Não dá pra comercializar na emoção – diz Daniele Siqueira, analista da consultoria AgRural.
    Mas aguardar não significa esperar que os preços alcancem patamares semelhantes aos picos históricos do ano passado. As altas que poderão ocorrer certamente serão bem mais tímidas, diz Daniele. E apesar de o preço não ser interessante para o produtor neste momento (R$ 59 a saca de 60 quilos na região de Passo Fundo, ontem), os analistas frisam que a cotação na Bolsa de Chicago, na faixa de US$ 9,50 a US$ 9,60 o bushel, é superior à media histórica dos últimos 17 anos.
    – Os preços não estão ruins, se considerarmos que o mercado global está bem abastecido. Mas quem está capitalizado não tem motivos para não esperar – avalia Cogo.

  • PLANOS-SAFRA NA MESA

    Os planos-safra da agricultura empresarial e familiar serão discutidos no Rio Grande do Sul hoje entre secretários do governo federal e entidades de classe. Pela manhã, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag) recebe em Porto Alegre o secretário especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário, José Ricardo Roseno.
    – Há espaço para redução de juro, levando em conta o cenário bem diferente agora em relação ao ano passado – diz Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag.
    A agricultura familiar tem juro hoje entre 2,5% a 5,5% ao ano. À tarde, será a vez da agricultura empresarial reforçar o pedido de taxa menor ao secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, em audiência na Assembleia Legislativa. O juro praticado varia de 8,5% a 9,5%.
    – A inflação de agora é menos da metade do ano passado. Além disso, a tendência é de que a Selic continue caindo nos próximos meses – reitera Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.

  • ABRIL VERMELHO

    No Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, trabalhadores rurais sem-terra acampados e assentados ocuparam os pátios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério da Fazenda, no Centro de Porto Alegre. As invasões fazem parte das ações do Abril Vermelho, período em que o MST realiza mobilizações em todo o país para reivindicar o acesso à terra.
    Segundo o movimento, o protesto reuniu mais de 2 mil pessoas na Capital. Os manifestantes permaneciam nos locais até o começo da noite de ontem. O MST protesta contra a medida provisória nº 759, que altera a legislação fundiária e os procedimentos para a efetivação da reforma agrária no Brasil.

    Fonte : Zero Hora