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CAMPO ABERTO | Joana Colussi CRISE ACENTUA QUEDA DO PREÇO DO LEITE

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    Acostumados com o sobe e desce do preço do leite, normalmente causado por problemas climáticos ou por períodos de entressafra, produtores e indústria se veem agora impactados por fatores econômicos do país. A instabilidade nos últimos meses levou os consumidores a diminuírem o consumo da bebida, principalmente de derivados do produto com maior valor agregado. Nos últimos três meses, segundo dados divulgados ontem pelo Conselho Estadual do Leite (Conseleite), o valor de referência do litro pago ao produtor caiu 8,09% (veja acima).
    – A crise desaqueceu o comércio. Além disso, não tivemos um longo período de frio que estimulasse o consumo de leite – explica Alexandre Guerra, presidente do Conseleite e do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat).
    O movimento é puxado pela baixa de 6% no valor do leite UHT, de 3,5% no pasteurizado e de 3,4% no queijo mussarela. Para piorar o quadro, o produto de países do Mercosul entra com valor mais competitivo no mercado brasileiro.
    – Não temos condições de competir com o leite importado – lamenta Guerra.
    A expectativa é de que o valor tenha chegado ao “fundo do poço”, visto que as pastagens prejudicadas pela estiagem e pela geada não sustentarão aumento de produção nas próximas semanas.
    – Teremos desaquecimento da produção a partir de agora, o que ajudará a recuperar os preços. Embora a queda pareça positiva para o consumidor, amanhã ou depois essa conta retorna – diz Márcio Langer, assessor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag).
    Para regulação dos preços, o setor busca intervenção do governo federal, pressionando pela compra de 20 mil toneladas de leite em pó. Com a remoção de produto excedente, a esperança é de aliviar a pressão do mercado.

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    A RECEITA LÍQUIDA DA DIVISÃO DE AGRONEGÓCIOS DA GIGANTE ALEMÃ BAYER RECUOU 14,1% NO SEGUNDO TRIMESTRE DO ANO, ANTE O MESMO TRIMESTRE DE 2016
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    À ESPERA DE ÁGUA

    Com as lavouras de trigo em fase de desenvolvimento vegetativo, os produtores gaúchos começam a se preocupar com um problema pouco comum nesta época: a falta de chuva. Segundo a Emater, as áreas semeadas em julho apresentam germinação desuniforme devido à baixa umidade no solo. Em algumas lavouras, principalmente em locais mais altos, há relatos de morte de plantas em razão do prolongado período com chuva abaixo da média. Conforme a Emater, seria necessário no mínimo 40 milímetros para melhorar o crescimento vegetativo.
    Agrônomo da Biotrigo Genética, Ricardo Paludo explica que a pouca ocorrência de chuva neste estágio das plantas pode influenciar mais na qualidade dos grãos do que na quantidade. Em lavouras implantadas nos últimos 15 dias, nas regiões do Planalto Médio e do Nordeste, as sementes ainda não conseguiram germinar.
    – A escassez de umidade pode ser recuperada com a aplicação de nitrogênio antes da chuva, prevista para a metade da próxima semana – recomenda o especialista.
    Paludo pondera que, apesar de preocupante, a situação das lavouras poderá ser recuperada com os cuidados técnicos necessários. Além do retorno da chuva ao Estado, claro.

  • NO RADAR

    A decisão oficial sobre a mudança na composição da vacina contra a febre aftosa deve ser anunciada na próxima semana pelo Ministério da Agricultura. Entre as mudanças previstas, está a retirada da substância saponina, componente apontado como responsável pelo aparecimento de nódulos na carne bovina.

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    AUDITORES FISCAIS AGROPECUÁRIOS PROMETEM PROTESTAR HOJE EM FRENTE AO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, EM BRASÍLIA. A CATEGORIA REIVINDICA A REALIZAÇÃO DE NOVOS CONCURSOS PÚBLICOS E CONTESTA A CONTRATAÇÃO DE MÉDICOS VETERINÁRIOS TEMPORÁRIOS.

  • DIREÇÃO DA CEASA NEGA DEFICIÊNCIAS

    Apesar de reconhecer a necessidade de concurso público para reduzir o número de funcionários terceirizados na Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa), a direção contesta parte das informações publicada pela coluna ontem. Segundo Ailton Machado, diretor-técnico operacional da Ceasa, o problema da segurança foi minimizado com a diminuição de quase 90% dos furtos de mercadorias nos últimos dois anos e meio. Além disso, afirma que a sociedade de economia mista não perdeu a competitividade e a capacidade de investimentos:
    – A Ceasa está investindo e é muito saudável financeiramente.
    Além disso, o diretor-técnico operacional argumenta que não há nenhuma deficiência na fiscalização dos alimentos, que seguem todos os padrões de sanidade exigidos pela legislação brasileira:
    – Os hortifrutigranjeiros são monitorados constantemente. Estamos inclusive capacitando os produtores sobre boas práticas agrícolas em seminários regionais – resume Machado.

  • ADEUS AO PIONEIRO EM PESQUISA DE SOJA

    Um dos pioneiros na pesquisa sobre a cultura de soja no Brasil, Shiro Miyasaka faleceu aos 92 anos de causa natural. Formado em Agronomia pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), na década de 1950, percorreu todo o país como assessor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), enquanto coordenava o livro A soja no Brasil (1981). Seus últimos trabalhos foram com pesquisa sobre o uso da biomassa como alternativa aos agroquímicos.
    Colaborou Vanessa Kannenberg

    Fonte : Zero Hora