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CAMPO ABERTO | Joana Colussi CONCURSO NA CEASA APÓS QUASE 30 ANOS

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    Tomada por terceirizados, mais de 200 em um universo de apenas 33 servidores, a Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa) deverá realizar concurso público após quase três décadas o último foi em 1989. Ontem, o conselho de administração da sociedade de economia mista aprovou novo plano de empregos, funções e salários que prevê a criação de 93 vagas permanentes em cargos de níveis médio, técnico e superior. A excessiva terceirização dos serviços na Ceasa, que motivou apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), é uma das principais razões para deficiências na fiscalização dos alimentos e problemas que vão da gestão à segurança.
    O concurso, que ainda precisa ser autorizado pela Assembleia Legislativa, prevê a contratação de profissionais como agrônomo, administrador, advogado, contador, economista e jornalista, além de orientadores de Ensino Médio e Técnico. Todas essas funções hoje são exercidas por empresas terceirizadas – com alta rotatividade dos funcionários, o que dificulta qualificação dos trabalhadores e continuidade de políticas de gestão. Isso sem contar o risco de criar relações de favorecimento nos processos de contratação.
    Dos 33 servidores da Casa, 22 já estão aposentados e continuam exercendo suas funções. O quadro reduzido dificulta a nomeação de gerentes técnicos, por exemplo. Cargos em comissão são apenas três: o presidente e dois diretores.
    O desejo de aumentar o número de servidores efetivos não é de agora, vinha de outras gestões, que acabaram esbarrando nos problemas financeiros do Estado. Deixada em plano secundário nos últimos anos, a Ceasa, por onde passa cerca de 50% dos hortifrutigranjeiros consumidos pela população gaúcha, acabou perdendo a capacidade de investimento.
    O preço cobrado é alto: vai da perda de competividade da empresa até a qualificação dos serviços prestados em torno dos alimentos que chegam à nossa mesa.

  • NO RADAR

    O lançamento da 40ª edição da Expointer terá um glamour especial neste ano, com cerimônia no Theatro São Pedro, em Porto Alegre. O ato será no próximo dia 10 de agosto. A feira agropecuária ocorre de 26 de agosto a 3 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

    GRANJAS ACUADAS
    Cerca de 70% das granjas produtoras de ovos no Rio Grande do Sul precisarão fazer alterações nas instalações para se adequarem às mudanças no sistema de inspeção determinadas pelo Ministério da Agricultura. Com a reformulação do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), em março deste ano, a modalidade de inspeção usada por 65 estabelecimentos no Estado será extinta. Com isso, as granjas terão até o dia 27 de novembro para migrar para os serviços estadual ou federal (SIF).
    – O problema é que o prazo é curto, muitos produtores não têm condições de fazer as mudanças até novembro – alerta Eduardo Santos, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
    Em audiência na Secretaria da Agricultura hoje, a entidade irá expor a preocupação. O setor entende que são necessários no mínimo dois anos para que a migração ocorra de maneira efetiva. O pedido oficial de prorrogação do prazo deverá ser formalizado nos próximos dias.
    – As mudanças são necessárias, mas não podem ser feitas da noite para o dia, sob pena de deixar estabelecimentos sem inspeção, comprometendo os cuidados necessários – diz Santos.
    A produção gaúcha é ao redor de 3 bilhões de ovos por ano – cerca de 8% do volume brasileiro.

  • COMPRA ANTECIPADA DE INSUMOS

    Os produtores poderão voltar a comprar de forma antecipada os insumos para a lavoura, antes de fechar o contrato com o agente financeiro – pelo menos até 29 de dezembro. A retirada da possibilidade do Manual de Crédito Rural, dentro do Plano Safra 2017/2018 anunciado no fim de maio, foi revertida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nesta semana.
    A medida trouxe alívio aos agricultores, que estavam enfrentando transtornos por conta da mudança, segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag).
    Pela decisão do CMN, será permitida novamente a liberação de parcelas destinadas ao financiamento de insumos, como fertilizantes, defensivos e sementes – adquiridos até 180 dias antes da formalização do crédito oficial. Com isso, os agricultores terão segurança jurídica para custear a safra de verão, além da cobertura do seguro agrícola.

  • PACTO PELA ASSISTÊNCIA

    Comunidades de pescadores, quilombolas e indígenas serão beneficiadas com cerca de R$ 6,7 milhões destinados a projetos de aumento de renda e melhoria da qualidade de vida da população rural. O recurso é fruto da adesão do Estado ao Pacto Nacional pelo Fortalecimento da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), formalizada ontem pelo governador José Ivo Sartori.
    Segundo o presidente em exercício da Emater, Lino Moura, o projeto vai beneficiar 1,5 mil famílias em 66 municípios. Os recursos devem ser liberados em agosto.

    Fonte : Zero Hora