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CAMPO ABERTO | Joana Colussi APÓS PARALISIA, FUNRURAL VOLTA A SER NEGOCIADO HOJE

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    Emperrada desde o escândalo da delação premiada da JBS, há quase um mês, a negociação da dívida bilionária acumulada no Funrural volta à pauta hoje em Brasília. No início da noite, deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e representantes de entidades do agronegócio irão se reunir novamente na Receita Federal. Quando a discussão parou, antes do fatídico 17 de maio, faltava acordo em pelo menos dois pontos para a publicação da medida provisória (MP) que definirá a forma de pagamento dos passivos acumulados pelos produtores brasileiros nos últimos anos.
    – Estava tudo parado. Hoje vamos retomar a negociação para resolver os pontos que ficaram em aberto. Queremos fechar o quanto antes – afirma o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), presidente da FPA.
    Entre os pontos divergentes, está a correção da dívida pela Selic. Os produtores pedem a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), um pouco menor. Além disso, ainda não há acordo sobre o pagamento de 5% da dívida ainda neste ano.
    – A expectativa entre os produtores é muito grande. O impasse gerou uma insegurança enorme no campo – disse o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja), Marcos da Rosa, durante o 14º Agrimark Brasil, promovido ontem pelo Instituto de Educação no Agronegócio (I-UMA) em Porto Alegre.
    Pelo acordo costurado até agora, previsto para entrar em vigor em janeiro de 2018, os produtores que não têm débitos com o fisco passarão a pagar 1,5% sobre a receita bruta. Aqueles que deixaram de recolher o tributo nos últimos anos continuarão pagando 2,3% até quitar toda a dívida.
    A fórmula, mesmo com pontos em aberto, é considerada uma boa solução diante de um impacto que poderia ser muito maior.

  • PARA PREENCHER VÁCUO DA JBS

    Depois da crise deflagrada no Brasil pelo escândalo da JBS, pequenos e médios frigoríficos querem que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se volte a eles. Ontem, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) encaminhou à direção do banco pedido de reunião para tratar da mudança da estrutura da cadeia produtiva da pecuária de corte no setor industrial – concentrada em grandes empresas em alguns Estados.
    Segundo a entidade, o potencial de consumo, interno e externo, demandará elevados investimentos em capital fixo para aquisições, ampliações e construção de novas plantas frigoríficas. A Abrafrigo argumenta que o vácuo que já começa a se abrir em razão dos fatos políticos recentes exigirá iniciativas imediatas das pequenas e médias empresas.

  • OS VENCEDORES DO DESAFIO DE MÁXIMA PRODUTIVIDADE SAFRA 2016/2017 SERÃO CONHECIDOS HOJE, EM PASSO FUNDO. A COMPETIÇÃO É PROMOVIDA PELO COMITÊ ESTRATÉGICO SOJA BRASIL (CESB) HÁ 10 ANOS.

  • NO RADAR

    Semeadoras irão trabalhar a todo o vapor nesta semana nas lavouras gaúchas para tentar compensar o atraso no plantio do trigo, por conta do alto volume de chuva nas últimas semanas. Na Região Noroeste, a janela é até 20 de junho.

  • BATALHA QUASE VENCIDA PARA ENTRAR NA INDONÉSIA

    Após três anos de discussão na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil teve julgamento favorável para venda de carne de frango à Indonésia. O relatório ainda não foi publicado, mas a decisão do painel concordou com os argumentos do Brasil sobre as medidas restritivas impostas, recomendando à Indonésia alteração da legislação e das práticas que impedem a entrada de carne brasileira no país situado entre dois continentes – Ásia e Oceania.
    – É uma vitória histórica, nunca vendemos carne de frango para lá. É um mercado e tanto, com quase 250 milhões de habitantes – diz Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
    Mesmo com decisão favorável ao Brasil, há possibilidade de apelação pela Indonésia à OMC.

  • SAFRINHA PERDIDA

    Quando a soja safrinha semeada na região de Santa Rosa estava quase pronta para colher, em meados de maio, começou a chover sem parar – acumulando 600 milímetros de precipitação no mês. O resultado do excesso de umidade é constatado agora: as plantas estragaram na lavoura, perdendo o valor comercial.
    – Os grãos apodreceram, tem produtores que não irão nem colher – conta o agrônomo Claudemir Gilberto Ames, assistente municipal da Emater de Santa Rosa.
    Os 500 hectares de soja safrinha cultivados no município foram quase 100% perdidos, segundo Ames. Antes da chuvarada, a expectativa dos produtores era de colher em média 30 sacas por hectares – metade do rendimento da safra de ciclo normal.
    – Na implantação das lavouras já houve problemas. Agora, agravou de vez – relata Ames.
    Em toda a região de Santa Rosa, foram plantados cerca de 3 mil hectares de soja safrinha, logo após a colheita do milho, em janeiro. O volume representa menos de 1% da área total cultivada na região.
    – É uma safra pequena, feita por conta e risco, por ser fora do zoneamento – explica José Vanderlei Waschburger, gerente regional adjunto da Emater Santa Rosa.

  • MAIS CRÍTICAS AO PROJETO DE TERCEIRIZAÇÃO

    O governo estadual deve protocolar ainda nesta semana, na Assembleia Legislativa, projeto de lei para mudar a forma como a inspeção é feita nas indústrias de produtos de origem animal. A ideia é transferir a função, hoje realizada por fiscais agropecuários, para médicos veterinários da iniciativa privada. A fiscalização continuará sendo feita pelos agentes públicos.
    O Sindicato dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários no Estado (Anffa Sindical RS) repudia a iniciativa, alegando que a inspeção e fiscalização de produtos são atividades exclusivas do veterinário dos serviços oficiais, não podendo ser delegada à iniciativa privada.
    Atualmente, 140 pessoas trabalham no serviço de inspeção sanitária (cem concursados e 40 via convênios com prefeituras) em 238 indústrias com fiscalização estadual. Seriam necessários pelo menos mais 60 para atuar no setor.

    Fonte : Zero Hora