CAMPO ABERTO | Joana Colussi

 

  • CRISE FAZ COOPLANTIO REESTRUTURAR NEGÓCIO

    Criada por produtores gaúchos pioneiros no plantio direto, e uma das cooperativas com maior expansão de negócios na última década, a Cooplantio está reestruturando seu modelo de atuação para driblar dificuldades financeiras. Depois de fechar a indústria de beneficiamento de arroz em Pelotas, em março deste ano, deverá terceirizar também a unidade de recebimento de grãos em Palmeira das Missões. O objetivo é concentrar as atividades graneleiras em Rio Grande. As três unidades têm capacidade para armazenar 200 mil toneladas de grãos.
    – Em 2012, tivemos prejuízo com a seca e, desde lá, viemos remando com um remo mais curto – relata Daltro Benvenuti, presidente da Cooplantio, que reúne 30 mil associados nos três Estados da Região Sul.
    A reestruturação resultou, mais recentemente, na desativação de unidades menores no Interior e no fim da parceria com a Case IH em revendas de máquinas agrícolas na Metade Sul.
    – Decidimos abrir mão de unidades que não eram rentáveis a curto prazo e voltar o foco à comercialização de insumos e grãos – explica Benvenuti.
    A redução dos negócios resultou no desligamento de 110 trabalhadores desde o começo do ano, quase a metade dos 250 funcionários até então. O faturamento, que em 2013 chegou a R$ 700 milhões, não deverá passar de R$ 250 milhões neste ano. Apesar das dificuldades, Benvenuti afirma que a opção de liquidação extrajudicial não será necessária.
    – O pior já passou. Estamos renegociando dívidas com fornecedores e reduzindo custos para ficar dentro do orçamento realizável – conta Benvenuti, acrescentando que a ideia é manter o patrimônio da cooperativa, fundada em 1990 com sede em Eldorado do Sul.
    Grande parte das dificuldades enfrentadas por cooperativas agrícolas decorrem da incapacidade de conseguir novos empréstimos em razão de endividamento, explica o presidente do sistema Ocergs/Sescoop, Vergilio Perius.
    – Iremos buscar no BNDES uma linha de incentivo às cooperativas. Não queremos dinheiro de graça, pagaremos juros – afirma Perius.

  • QUALIDADE DO TRIGO PREOCUPA

    O resultado das primeiras colheitas de trigo no Rio Grande do Sul, 2% do total semeado conforme levantamento divulgado pela Emater, causa apreensão entre produtores na região noroeste. O produto tem apresentado qualidade baixa e, em alguns casos, sem valor comercial para moagem.
    A cultura foi fortemente atingida por doenças agravadas por variações climáticas. Ontem, em Santa Rosa, líderes do setor discutiram alternativas para amenizar os prejuízos na região. Entre as ações junto ao governo federal, estão a prorrogação do crédito de custeio por pelo menos um ano e mecanismos de exportação do trigo de menor qualidade por meio de leilões públicos (Pepro).
    – O produtor terá dificuldade de colocar esse produto no mercado interno – prevê Aureo Mesquita, coordenador da Câmara Setorial do Trigo.

  • NO RADAR

    O DOMINGO
    terá atividades no parque Assis Brasil, em Esteio.
    O projeto Paz no Parque, aberto ao público das 11h às 18h, inclui palestras e diversas ações educativas para pais, crianças e professores.

  • ESPERANÇA DE PAGAMENTO

    Mas de 4 mil produtores gaúchos de leite que aguardam pagamento de empresas envolvidas em fraude de adulteração do produto serão representados na Justiça por ações coletivas movidas pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado (Fetraf-RS). A entidade decidiu ingressar judicialmente em razão da longa espera que já se arrasta por meses.
    – A principal fonte de renda dessas famílias é o leite. Sem receber, elas não têm dinheiro para honrar seus compromissos – alerta a coordenadora estadual da Fetraf-RS, Cleonice Back.
    A preocupação é agravada devido à situação financeira das empresas inadimplentes, boa parte em recuperação judicial. Segundo Nestor Bonfanti, tesoureiro da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), muitos produtores já ingressaram individualmente para cobrança dos pagamentos.
    – Depois de muita insistência, algumas empresas prometeram honrar as dívidas neste mês, mas não temos nenhuma garantia – relata Bonfanti, acrescentando que as cobranças individuais vão de R$ 3 mil a R$ 30 mil.

  • ORDENHA COM ROBÔS

    A Dália Alimentos deu início nesta semana a obras que irão permitir a ordenha robotizada de 262 vacas em Roca Sales, no Vale do Taquari. Esse é o segundo condomínio de leite com robôs construído pela empresa. O primeiro foi em Nova Bréscia, onde a obra iniciada em agosto está em andamento. A previsão é de que os empreendimentos, que aumentarão em 30% a produção de leite na região, comecem a operar até a metade do próximo ano.
    O plantio das lavouras de arroz no Estado chega a
    18%
    da área a ser semeada na safra 2014/2015, conforme a Emater.

Fonte: Zero Hora