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CAMPO ABERTO | Joana Colussi

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  • RETA FINAL PARA CALCULAR PERDAS NO TRIGO GAÚCHO

    Com tempo seco e firme, combinação rara nas últimas semanas, produtores das regiões do Planalto Médio e do Alto Jacuí começam hoje a colocar as colheitadeiras a campo a todo vapor. A partir de então, será possível ter uma ideia mais clara do tamanho dos estragos causados pelo excesso de umidade nas lavouras de trigo no Rio Grande do Sul. Com a colheita praticamente concluída na região Noroeste, Emater e Farsul calculam quebra de, pelo menos, 1 milhão de toneladas, de uma safra estimada inicialmente em 3,3 milhões de toneladas.
    – Os próximos 15 dias serão definitivos para sabermos a dimensão desses prejuízos, tanto em volume quanto em qualidade – explica Luiz Ataídes Jacobsen, assistente técnico da Emater-RS.
    A previsão de tempo seco deverá fazer com que a colheita do cereal avance rapidamente nos 40% de área ainda restantes no Norte e na região Nordeste – a última a plantar.
    – Nessas regiões choveu menos, por isso esperamos qualidade do trigo superior – diz Jacobsen.
    Até agora, os relatos vindos do campo são de frustração. Se não bastasse o baixo rendimento, menos de 30 sacas por hectare, a qualidade do trigo completa o quadro de desolação. O cereal que não atinge classificação para moagem só terá mercado na indústria de ração – onde o valor comercial é reduzido para menos da metade.
    Há ainda preocupação com a contaminação do grão por micotoxina (produzida por fungos), o que impediria o uso até mesmo para ração, pois causaria naúseas e vômitos nos animais. Na semana passada, o Laboratório de Análises Micotoxicológicas (Lamic) da UFSM emitiu comunicado alertando o mercado para o nível elevado de toxina no cereal colhido até 1º de novembro. Das 200 amostras analisadas, 90% deram positivo para a presença da contaminação.
    Motivos não faltam para lamentar a safra de inverno.

  • SAFRA DE PÊSSEGO REDUZIDA

    Prejudicada pela ausência do frio no inverno para segurar a fruta no pé e pela chuva de granizo na primavera, a safra de pêssego de Porto Alegre será reduzida pela metade na comparação com o ano passado, quando foram colhidas 1,6 mil toneladas. Apesar da adversidade, a tradicional Festa do Pêssego de Porto Alegre, no bairro Vila Nova, começou no fim de semana com expectativa de reduzir o prejuízo.
    – Além da redução do volume, perdemos um pouco de qualidade – lamenta Cleber Vieira, presidente do Sindicato Rural de Porto Alegre.
    Neste ano, segundo Vieira, a colheita em 120 hectares deverá somar pouco mais de 750 toneladas de pêssego e nectarina. As perdas na fruticultura por problemas climáticos não se restringem à Capital, são verificadas em outras regiões produtoras, como a Serra gaúcha.
    A Festa do Pêssego continua na zona Sul nos dois próximos finais de semana, das 9h às 20h. Durante o mês de novembro, de segunda a sexta-feira, produtores rurais expõem as frutas nas proximidades da Praça XV, no Centro da cidade.

  • FERRUGEM DA SOJA EM TEMPO REAL

    Por meio de câmeras de vídeo instaladas em diferentes ângulos e cenários, será acompanhada em tempo real a partir desta safra a evolução da ferrugem asiática nas lavouras de soja. Projeto pioneiro da Bayer CropScience escolheu seis diferentes regiões do país para pesquisar uma ferramenta que auxilie o produtor a fazer controle eficiente do fungo – considerado uma das piores pragas da agricultura brasileira. As câmeras foram instaladas em lavouras de Cafelândia (PR), Rio Verde (GO), Campo Novo do Parecis (MT), Paulínia (SP), Itaara (RS) e de Planaltina (DF).
    – A partir dessas imagens e informações, serão identificados o nível de risco da doença e as estratégias para o manejo – explica Ricardo Balardin, consultor do Instituto Phytus, que irá ceder a estação experimental em Itaara para desenvolvimento do projeto.
    As câmeras irão monitorar três cenários: visão panorâmica, manejo correto e manejo atrasado. O objetivo é mostrar ao produtor a diferença de fazer a pulverização na hora certa.
    – Uma semana de atraso na aplicação pode determinar o fracasso da lavoura. E não estamos falando em aumentar aplicações, pelo contrário, a ideia é racionalizar o uso – completa Balardin, acrescentando que em dois anos será possível ter os primeiros resultados.

  • PRAZO EXTRAPARA CONVÊNIO

    O Instituto Gaúcho do Leite (IGL) está em adiantada negociação para prorrogação do convênio firmado com a Secretaria da Agricultura. O acordo permite a utilização dos recursos captados pelo Fundoleite e foi assinado em junho deste ano, com validade até junho de 2015. Com a prorrogação, o convênio seria ampliado até dezembro de 2016.
    Segundo o diretor-executivo do IGL, Ardêmio Heineck, o objetivo é atender a programas com execução prevista para 2015 e 2016. Um deles é o treinamento de 180 multiplicadores, em cada ano, para aplicação das metodologias do PAS Leite. Pelo programa, até o final de 2016, cerca de 14 mil propriedades rurais serão atendidas.
    Até o momento, a arrecadação do Fundoleite soma R$ 790 mil, com média mensal de R$ 235 mil.

  • DÍVIDAS NO LEITE

    Cerca de 3 mil produtores gaúchos de leite aguardam para esta semana avanços na negociação de dívidas das empresas LBR e Mondaí. Na semana passada, dirigentes da Fetraf, Fetag e governo estadual reuniram-se em São Paulo com o administrador judicial da LBR, Ricardo Sayeg, que irá mediar encontro de conciliação entre as partes. No mesmo dia, em Santa Catarina, a Fetraf apresentou contraposta de negociação à direção da Mondaí, que pediu prazo até amanhã para responder.

Fonte:  DCI