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CAMPO ABERTO – HORA DO TUDO OU NADA DO MERCOSUL

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Ao deixar a porta do Mercosul apenas entreaberta para o bloco, o Brasil está causando efeitos colaterais indesejáveis ao agronegócio. Quando permite a entrada de produtos processados, mas dificulta a compra de insumos, o país está minando a competitividade do setor, que se prepara para tomar atitudes drásticas. O caso mais emblemático é o do arroz.

Pesquisa divulgada pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) revela que os custos de produção brasileiros estão bem acima dos argentinos e uruguaios (veja abaixo). Componentes da tabela de gastos, os agroquímicos, por exemplo, podem ser até 426% mais caros no Brasil.

O lógico seria, então, comprar esses itens onde são mais baratos, reduzindo gastos e deixando o produto final com condições de enfrentar os concorrentes. Mas, na prática, alerta o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, o Brasil criou um arcabouço de exigências tão grandes que inviabilizam a aquisição. Ou seja, a troca ocorre só de um lado:

– Qual o sentido de termos um bloco que gera um monte de problemas na hora de negociar exportação com países de fora se não consigo usá-lo para comprar insumos mais baratos? Se houvesse livre mercado, não existiria o problema de entrada de produtos mais baratos, porque seríamos mais competitivos.

Para o economista, a origem do problema está nas políticas agrícola, industrial e de desenvolvimento brasileiras. E para reverter esse quadro e evitar danos ainda maiores ao setor primário, defende que ou se tenha "o livre comércio de verdade, ou não se tenha nada":

– O Mercosul está no divã.

Diante desse cenário, entidades já buscaram medidas junto ao governo federal. A primeira foi administrativa: pedido de intervenção no arroz, com a criação de cotas ou a distribuição de vendas ao longo do ano para países do bloco. A briga promete ir além. Presidente da Federação das Associações de Arrozeiros, Henrique Dornelles afirma que o embate será direto:

– Vamos fechar fronteiras. Serão ações sanitárias e tributárias.

Refere-se a medidas judiciais que devem ser em até 15 dias para barrar produto de países do bloco.

– Acompanhamos de perto o arroz que entra aqui – afirma.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora