CAMPO ABERTO | grupo avalia hoje ocupação da cotrijui

Com a bandeira de buscar pagamentos em atraso e acesso aos estoques de grãos, um grupo denominado Recuperação da Cotrijui analisa hoje a possiblidade de ocupar a sede em Ijuí, no Noroeste. Desde setembro de 2014, a cooperativa está em liquidação voluntária medida semelhante à recuperação judicial das empresas (veja no detalhe ao lado). A dívida é estimada em cerca de R$ 1,8 bilhão.

Segundo o movimento, que reúne cerca de 30 pessoas e há um mês vem se reunindo, existem associados que estão sem receber e dificuldades de acesso ao produto estocado.

– Se não for feito o pagamento e não permitirem a conferência do estoque, poderemos ocupar a cooperativa. É um dos itens em pauta – afirma Edson Solon Burmann, um dos integrantes do grupo que se diz independente.

Foram criadas três frentes de trabalho: de articulação política, jurídica e de planejamento da retomada. O movimento faz críticas à forma como vem sendo conduzida a liquidação.

Em outubro do ano passado, foi aprovada em assembleia a troca do gestor do processo. Saiu Vanderlei Fragoso, que esteve três anos à frente do cargo, e entrou Eugênio Frizzo, que já fazia parte da diretoria.

Analista executivo da Cotrijui, Renilton Prauchner afirma que houve atrasos nos pagamentos a associados entre o final de novembro e início de dezembro "em virtude de penhoras de faturamento, o que atrapalhou o caixa". Ele garante, no entanto, que os vencimentos estão sendo reprogramados:

– Foi um problema pontual.

Com 6 mil associados ativos e capacidade estática para armazenar quase 1 milhão de toneladas, a cooperativa tem grande peso na região – tendo ainda indústria de carne, arroz e ração -, motivo pelo qual o caminho do saneamento das dívidas e a continuidade das operações são fundamentais.

Tem hoje a condição de depósito em armazém geral – o produtor é dono do grão depositado e qualquer movimentação precisa de sua aprovação.

Segundo Prauchner, é realizada, neste momento, auditoria externa, como é de praxe, para pesagem dos grãos. Reunião com o auditor será realizada ainda neste mês.

Sobre a demora no processo de recuperação da cooperativa, avalia:

– Para fazer o que é certo, demora. A primeira coisa foi a dificuldade de levantamento das informações do patrimônio.

A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro) diz que não recebeu denúncias sobre atrasos no pagamento a associados, mas que se isso ocorrer, o primeiro passo seria contatar a diretoria da Cotrijui.

COLHEITA NA MEDIDA

Depois de quebra e de recorde histórico, a safra de uva gaúcha deverá retomar os patamares da normalidade neste ano, segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

Conforme havia antecipado à coluna o novo presidente da entidade, Oscar Ló, a produção destinada ao processamento da indústria deve chegar a cerca de 600 mil toneladas, dentro da média. Se consideradas ainda as frutas com outra destinação, o volume deve chegar a 750 mil toneladas, segundo a Emater.

Com um inverno atípico, de poucas horas de frio, houve brotação antecipada dos parreirais – com a colheita também chegando mais cedo do que o costume.

Segundo Enio Ângelo Todeschini, engenheiro agrônomo da Emater, 2017 teve 188 horas de frio de menos de 7,2 °C em Bento Gonçalves, inferior à média histórica, que é de 410 horas.

O início da vindima foi na segunda quinzena de dezembro. A qualidade também será uma marca da atual safra.

– A previsão é de um volume 20% menor do que no ano passado, e, devido às regularidades das chuvas e as uvas estarem amadurecendo com clima mais seco, vamos ter uma excelente qualidade. O clima está mais seco, as uvas estão com a sanidade melhor – diz Ló.

O tempo deve seguir ajudando na colheita neste mês. Chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus pontua que os prognósticos de influência moderada de La Niña indicam a ocorrência de chuva abaixo do normal.

– Isso favorece a maturação e, consequentemente, a boa qualidade das uvas – afirma Zanus.

Termina hoje o prazo para que o presidente Michel Temer sancione a lei que cria o Programa de Regularização Tributária – que permite a negociação da dívida referente ao Funrural. Ontem, o dia foi de negociações de parlamentares, que faziam pressão especialmente sobre o Ministério da Fazenda, para tentar evitar vetos.

Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, desenvolveram uma banana geneticamente modificada que é resistente ao fungo que causa o mal-do-Panamá. A doença é uma das principais dores de cabeça para os produtores de banana – causa rachadura e manchas no caule e quebra e amarelamento das folhas. Novos testes serão agora feitos e devem durar cinco anos.

Ano de tudo ou nada no arroz

A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz) está disposta a partir para briga, se preciso for. Isso significa recorrer à Justiça, caso o Ministério da Agricultura não cumpra compromissos assumidos, como o de realizar fiscalização na fronteira e no varejo. O motivo? A entidade diz que há marcas embalando arroz de tipo três e quatro como se fosse tipo um e "fazendo promoções sob a chancela do varejo, o que puxa as cotações para baixo", afirma Henrique Dornelles, presidente da federação.

Análise feita a pedido da entidade com mais de 30 amostras de Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal mostrou que 50% estavam fora do tipo identificado.

Outra denúncia é a de que existe arroz estrangeiro – sobretudo paraguaio – chegando ao mercado interno como se brasileiro fosse e produto contaminado (com agrotóxicos de uso não permitido ou acima do limite máximo de resíduos).

– Já demos prova e tempo necessário ao ministério. Estamos com as ações prontas, é só apertar o botão. Vamos para o tudo ou nada – garante Dornelles.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora