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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein – VERDURAS, FRUTAS E LEITE ÁGUA ABAIXO

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    A cada dia que passa, novas informações sobre prejuízos causados pela chuva chegam aos técnicos e escritórios da Emater espalhados pelo Estado. No primeiro levantamento consolidado após a chuva intensa registrada no mês de julho, o tamanho do estrago já ficou evidente. Foram consultados 80 municípios 18 dos quais em estado de emergência.
    Hortigranjeiros e frutas acumulam perdas entre 20% e 50%. Isso mesmo, até metade da produção, em algumas culturas, foi varrida pela força das águas. O efeito aparece nos mercados: com pouca oferta, muitos desses produtos ficaram mais caros nas duas últimas semanas.
    Outra atividade duramente atingida foi a pecuária de leite. Cerca de 5 mil produtores foram afetados e 310 mil litros deixaram de ser recolhidos – a produção diária do RS é 13 milhões de litros.
    – O relatório de perdas foi encaminhado ao grupo que monitora a situação. Veremos como o Estado poderá ajudar – explica Tarcísio Minetto, secretário de Desenvolvimento Rural (SDR).
    O trigo também sofrerá os impactos do excesso de umidade. Por ora, as perdas ainda são pequenas se comparadas aos demais setores, 5%. Como a cultura está na fase inicial do ciclo, há esperança de que seja possível reverter ou pelo menos estancar os danos. Além de interromper o plantio, a chuva também levou nutrientes das plantas. Soma-se a isso a falta de luminosidade e o resultado é a ameaça ao potencial produtivo das lavouras.
    Vinculada à SDR, a Emater terá a tarefa de orientar produtores para o manejo das sobras, na elaboração de ações preventivas para o futuro e também com os laudos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Mais do que nunca a agilidade é fundamental, para que os prejuízos sejam minimamente atenuados.

  • AZEITANDO OS CAMPOS

    À mesa, o azeite de oliva caiu no gosto do brasileiro. No campo, o cultivo de oliveiras ainda precisa crescer para atender à demanda existente dentro de casa.
    É que hoje mais de 99% do azeite é importado, sendo 88% de Portugal, Espanha, Itália e Grécia.
    Maior produtor do país, o Rio Grande do Sul quer fazer as oliveiras vingarem com força por meio de um programa dedicado à cultura, que será oficialmente apresentado hoje no Palácio Piratini.
    No mundo ideal, o objetivo é passar dos atuais 1,4 mil hectares para 60 mil hectares em cinco anos.
    Para isso, serão necessários investimentos: cada hectare tem custo médio de R$ 10 mil, segundo o coordenador da Câmara Setorial da Oliveira da Secretaria da Agricultura, Paulo Lipp João:
    – Temos potencial de expansão para atender ao mercado brasileiro. Além disso, a cultura é uma alternativa de produção para a Metade Sul.
    O programa tem quatro linhas de ação: defesa sanitária e produção de mudas, pesquisa e assistência técnica, indústrias e crédito.
    Quanto ao último item, não há, no entanto, previsão de recursos extras. Os financiamentos virão de linhas já existentes e deverão ser operados por bancos do Estado, Sicredi e Banco do Brasil. Banrisul e Badesul assinam hoje compromisso de assegurar crédito para o fomento da atividade. Na Expointer, deverá ser a vez das demais instituições.

  • O Mercosul ampliou a tarifa externa comum cobrada para a importação de produtos lácteos. A taxação será de 28% e tem validade até o final de 2023.

  • SEM TERCEIROS NO ABATE

    Ainda cabe recurso, mas decisão da Justiça determina que a empresa BRF deixe de utilizar trabalhadores terceirizados para a realização do abate do tipo halal no frigorífico de Lajeado.
    Os contratos em andamento deverão ser encerrados, sob pena de multa diária no valor de R$ 1 mil, por trabalhador.
    O veredito, decorrente da ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), determina ainda pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos.
    Conforme o MPT, a terceirização da atividade-fim já durava mais de nove anos.
    Por meio de nota, a BRF disse que ainda não foi notificada oficialmente sobre o caso.
    A empresa afirma ainda que “cumpre a legislação brasileira e todas as normas relativas à exportação de produtos e caso seja intimada, em momento oportuno, recorrerá da decisão”. O abate halal obedece a critérios estabelecidos pela religião islâmica e é exigência para a venda do produtos brasileiros em países do Oriente Médio.

  • NO RADAR

    PELA PRIMEIRA VEZ, o Laboratório Nacional Agropecuário do Rio Grande do Sul (Lanagro-RS) terá uma mulher no comando. Médica veterinária, Priscila Moser é fiscal federal agropecuária há oito anos. Vinculado ao Ministério da Agricultura, o laboratório teve atuação decisiva para a identificação de fraudes no leite.

  • Fonte : Zero Hora