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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein | VENDA DE SOJA VOLTA A TER LENTIDÃO NO RS

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  • VENDA DE SOJA VOLTA A TER LENTIDÃO NO RS

    Em um ritmo devagar quase parando, a venda de soja no Rio Grande do Sul deu um salto nas semanas após a delação dos irmãos Batista. A tempestade política decorrente do escândalo JBS fez a taxa de câmbio subir e, por conta disso, os produtores aproveitaram para ir ao mercado negociar o produto.
    Passado o pico inicial, no entanto, a percepção dos analistas é de que os negócios voltaram a ser feitos a conta-gotas. Conforme o consultor Flávio Roberto de França Junior, na primeira semana do mês, 41% da safra havia sido comercializada. Percentual bem abaixo do registrado para esse período – no ano passado, era de 62%, e na média, de 56%:
    – Nas duas últimas semanas, quando o câmbio dava uma subida, o pessoal vendia. Mas de uma forma muito oscilante e regionalizada.
    A opinião é compartilhada por Índio Brasil dos Santos, sócio da Solos Corretora. Depois do pico do dólar pós-delação – que chegou a R$ 3,40 –, “as coisas tomaram novamente o caminho da lentidão”.
    As altas nos valores do grão têm mais relação com a moeda americana, com sobe e desce atrelado à especulação política.
    Em Chicago, o preço da commodity vem oscilando entre US$ 9,15 e US$ 9,45 há três semanas. Embora a situação esteja melhor do que há um mês, o viés não é de alta no momento, afirma França Junior.
    A bolsa americana acompanha o ritmo do clima dos EUA, que estão em pleno desenvolvimento da safra. Santos afirma que houve três anos consecutivos de resultados “espetaculares” na terra do Tio Sam:
    – Se houver um quarto ano assim, o produtor brasileiro amargará essa lentidão na venda. Ele está apostando tudo em uma alta e deixando de ver fatores que possam levar a baixas.
    A indicação dos consultores continua sendo para que o agricultor aproveite momentos de repique do dólar para vender o grão.
    – O que melhorou efetivamente foi a taxa de câmbio. A orientação é o produtor ir fazendo média – recomenda França Junior.

  • RAIOU O RECOMEÇO

    Depois de duas semanas parados, os produtores de trigo do Estado aproveitaram o tempo seco para reiniciar o plantio. Agora é correr para tentar recuperar o atraso. Na média do Estado, segundo a Emater, apenas 12% da área total foi semeada, bem abaixo dos 50% registrados na média dos últimos cinco anos.

    Mas há regiões em que o descompasso é ainda maior. Nos 12 municípios atendidos pela Coopatrigo, nas Missões, o percentual neste período do ano costuma ser de até 90%. Ontem, somava apenas 20%.
    – Recomeçamos os trabalhos nesta semana. Mas muitos produtores estão tendo que deixar espaços no meio da lavoura, o que não é normal, porque tem água – conta Marcos Pilecco, engenheiro agrônomo da Coopatrigo, que tem sede em São Luiz Gonzaga.
    Como o atraso é muito grande, há produtores desistindo da cultura, o que pode fazer a área total recuar ainda mais do que o previsto inicialmente.
    Claudio Dóro, assistente técnico regional da Emater de Passo Fundo, estima que o recuo poderá chegar a até 20% – a projeção inicial do órgão era de 6,49%. A semeadura foi iniciada na quarta-feira – depois que a chuva parou, foram necessários mais alguns dias para o solo secar. Em Passo Fundo, normalmente 40% da área estaria cultivada, mas até ontem não havia mais do que 2% plantado.
    – O solo estava muito encharcado. Vamos continuar com um atraso na semeadura de 20% a 30% em relação à media dos anos anteriores – prospecta Dóro.
    Na região da Coopatrigo, a média é de 68 mil hectares de trigo. Mas Pilecco diz que, neste ciclo, a diminuição de área poderá chegar a 40%. O técnico aponta outro problema:
    – O plantio concentrado na mesma época é um perigo. Se algo der errado, compromete toda a produção.

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    BENTO GONÇALVES, NA SERRA, ADERIU NESTA SEMANA AO SISTEMA UNIFICADO ESTADUAL DE SANIDADE AGROINDUSTRIAL, FAMILIAR, ARTESANAL E DE PEQUENO PORTE (SUSAF ). O MECANISMO PERMITE A VENDA DE PRODUTOS DE AGROINDÚSTRIAS DENTRO DO ESTADO. O NÚMERO TOTAL AINDA PRECISA CRESCER BASTANTE: APENAS 21 DOS 497 MUNICÍPIOS DO ESTADO TÊM A HABILITAÇÃO.

  • ÚLTIMO DIA PARA PROTEGER REBANHO

    Termina hoje o prazo para a primeira etapa da vacinação contra a febre aftosa no Rio Grande do Sul. Devem ser imunizados bovinos e bubalinos. Neste ano, devido à chuva, que dificultou o acesso, o período para a aplicação das doses foi estendido pelo Ministério da Agricultura.
    Conforme Marcelo Göcks, chefe da divisão de Defesa Sanitária da Secretaria da Agricultura, 92% do rebanho havia recebido as doses. A meta da secretaria era chegar a, no mínimo, 90%.
    Depois de hoje, os pecuaristas ainda têm cinco dias úteis para fazer a comunicação da vacinação nas inspetorias veterinárias.
    Em Dom Pedrito, na Campanha, há preocupação, segundo o sindicato rural. O percentual de animais protegidos estaria abaixo de 90%, faltando serem vacinados mais de 40 mil animais de 271 propriedades.

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    A produção de leite registrou perdas de 14% em razão da chuva registrada nas últimas semanas no Estado. Segundo a Emater, 1,1 mil produtores de 326 municípios gaúchos foram afetados. O período de análise foi de 21 de maio a 14 de junho.

  • R$ 546,3 BILHÕES

    é o Valor Bruto da Produção estimado para este ano, segundo dados do Ministério da Agricultura. Confirmado, será 5% maior do que o do ano passado e o maior dos últimos 27 anos. A safra recorde de 234,3 milhões de toneladas de grãos, e o aumento da produtividade, de 21%, estão entre as razões para a alta do VBP.

  • DA LANTERNA AO TOPO

    O Rio Grande do Sul já ocupou a posição de lanterna nacional no preenchimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma das exigências trazidas pelo novo Código Florestal. Mas atualmente, encontra-se no topo do ranking dos Estados. É o que aponta balanço feito pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), com dados coletados até 30 de abril. Em número de imóveis, o Rio Grande do Sul, com 467,92 mil unidades, fica atrás apenas de Minas Gerais. Em área, está na oitava posição, com 17,62 milhões de hectares. Confira quais municípios gaúchos tiveram maior adesão.

  • RANKING DOS CADASTROS

    Os municípios do RS que têm o maior número de imóveis cadastrados (em mil unidades)
    1) Canguçu 11,28
    2) Venâncio Aires 6,77
    3) São Lourenço do Sul 5,1
    4) Caxias do Sul 4,47
    5) Candelária 4,21
    Os municípios com as
    maiores áreas cadastradas
    (em mil hectares)
    1) Alegrete 462,33
    2) Uruguaiana 459,34
    3) Dom Pedrito 377,79
    4) Bagé 292,71
    5) Santana do Livramento 275,29

  • Fonte:  Zero Hora