CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein UMA NOVELA CHAMADA CAR

 
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    Como em uma narrativa de enredo previsível, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) tem no capítulo atual um momento de tensão, ainda que com uma sensação de déjà vu. Com o prazo final, 5 de maio, se aproximando, fica cada vez mais evidente a dificuldade, senão a impossibilidade, que produtores, em especial os do Rio Grande do Sul, terão para cumprir com a exigência do novo Código Florestal brasileiro. Sobre o desfecho, mantém-se ainda o suspense, mas entre os espectadores, a torcida já é para que haja nova prorrogação. No ano passado, a medida foi utilizada porque estava prevista em lei. Agora, não. E não há nenhuma sinalização formal do governo federal nesse sentido.
    A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) está fazendo uma avaliação da situação e, entre hoje e amanhã, deve apresentar sugestões aos produtores.
    – A gente acredita que não vai dar tempo, que seria necessário conceder uma prorrogação, apesar do ritmo avançado – observa Eduardo Condorelli, assessor da Farsul.
    Segundo a Secretaria do Ambiente, 24,01% de uma base de 480 mil propriedades do Estado estão cadastradas. Entidades apontam o impasse em torno do decreto com as regras para o Bioma Pampa – alvo de ação do Ministério Público (MP) – como empecilho para o avanço. Os gaúchos estão na lanterna nacional no percentual de área cadastrada (com apenas 10,4%), segundo o dado mais recente do Serviço Florestal Brasileiro, referente ao mês de janeiro.
    Ontem, o deputado Elton Weber (PSB) sugeriu – e a iniciativa foi aprovada – a criação de uma subcomissão dentro da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia para acompanhar a questão:
    – Queremos dar um caráter mais oficial a essa discussão. Tem a questão do decreto questionado pelo MP e o prazo.
    Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva conta que, em um giro pela Região Noroeste, verificou um ritmo adiantado de preenchimento. Em contrapartida, no Bioma Pampa, não:
    – Nossa orientação é para que os produtores sem mudanças excessivas a fazer realizem o cadastro. Para os demais, como os do Bioma Pampa, que façam, mas não enviem.
    Na terça-feira, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Raimundo Deusdará, falaram sobre o CAR em reunião da Frente Parlamentar Agropecuária.
    – Cobramos a prorrogação para a Região Sul, que tem apenas 33% da área cadastrada – diz o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP), autor de duas emendas para ampliar o prazo.
    Mas não dá para ficar contando com isso. É importante seguir com o cadastro. A partir de 2017, passará a ser uma exigência para a tomada de financiamentos agrícolas.

  • ENXURRADA DE EXPORTAÇÕES

    As exportações de milho do Brasil seguem em ritmo acelerado. Foram 4,4 milhões de toneladas só nas três primeiras semanas de fevereiro ante volume de 1 milhão de toneladas em igual mês de 2014.
    A situação acende alerta vermelho para as indústrias que têm no grão um insumo importante e vêm encontrando dificuldades para a compra.
    – Está surpreendendo o volume de milho exportado. No mercado interno, não tem oferta e o preço está alto. É um momento bem delicado – pondera Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado (Sips).
    Analista de mercado do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, André Sanches entende que “enquanto houver rentabilidade superior na exportação, se dará preferência ao mercado externo”.
    Atendendo a pedidos do setor, o governo federal liberou até 500 mil toneladas de milho dos estoques públicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para leilões. Na prática, no entanto, o que tem se visto é uma baixa procura ao produto colocado à venda pelo governo federal. Das 448 mil toneladas ofertadas até agora, só pouco mais da metade (240,49 mil toneladas) foi efetivamente negociada. E o que explica esse pouco interesse, se o grão é um artigo necessário?
    Para Sanchez, uma das razões é a elevação do preço do frete, devido à alta procura – a colheita de soja está começando e “os produtores já começam a se organizar, dando preferência à oleaginosa”:
    – Quando o comprador agrega o valor do frete, o preço do milho vai às alturas – explica.
    Kerber credita o baixo interesse a uma série de fatores: distância entre o local onde o produto está estocado e o destino final, pagamento antecipado, com custo do carregamento ficando por conta do comprador, e a qualidade, que “deixa a desejar”.

  • NO RADAR

    ENTIDADES LIGADAS à produção do leite no Estado terão até o dia 7 de março para apresentar sugestões em relação à minuta do decreto de regulamentação da Lei do Leite, apresentada ontem pela Secretaria da Agricultura. A partir das observações, os técnicos farão ajustes. Nova reunião deve sair no dia 14.

  • PARA DEFENDER E ATACAR NA CRISE

    Em um show de máquinas para quase mil convidados, de diversos países, a Stara apresenta hoje em Não-Me-Toque, três novos produtos. Um deles, o pulverizador Imperador 3.0, é inédito no mercado brasileiro, segundo o diretor-presidente da empresa, Gilson Trennepohl. A máquina tem dupla função: distribuidor de defensivos líquidos e sólidos. A apresentação será feita pelo craque Rogério Ceni.
    – Foi um grande goleiro e artilheiro. É como o produto: atuará na defesa, pulverizando, e no ataque, fertilizando – diz Trennepohl.
    A linha de produção do novo pulverizador recebeu aporte de R$ 25 milhões. Nos outros lançamentos, duas plantadeiras, foram mais R$ 12 milhões. O investimento, em período de retração do setor, é justificado pelo executivo como estratégia da empresa.
    – Em momentos de crise, é hora de acreditar ou de acreditar – resume Trennepohl.

  • O mês de fevereiro tem sido de recuperação para o preço do leite devido ao início do período de entressafra e aos problemas decorrentes do clima. O valor de referência definido pelo Conseleite ficou em R$ 0,8590, que é 0,98% maior do que a quantia consolidada para o mês de janeiro.

  • VOTO RETIFICADO

    No momento da votação da proposta de emenda constitucional que põe fim à necessidade de plebiscito para a extinção da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), o deputado Adão Villaverde (PT) acabou digitando, por engano, o sim, quando, na verdade, queria se manifestar pelo não. O parlamentar retificou o voto no microfone de apartes, reforçando o não pelo qual havia optado no primeiro turno. Mas o sistema eletrônico do painel já havia registrado o placar com o voto anterior na planilha da votação.
    Com a alteração, o placar de aprovação da proposta fica em 36 votos a favor e 13 contrários.

  • Fonte : Zero Hora